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“Extra Favelas” joga luz em desafios de mobilidade no Complexo do Alemão

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O direito de se deslocar pela cidade a partir de um meio de transporte ou até mesmo a pé é fundamental a todos os cidadãos. A terceira edição do “Extra Favelas” levou a discussão para o Complexo do Alemão na segunda-feira, dia 13. O painel aconteceu na Quadra Esportiva da Vila Olímpica do Alemão e reuniu Simone Costa , subscretária de Planejamento e Concessões de Transportes da Secretaria Municipal de Transportes; os vereadores Victor Hugo (MDB) e Deangeles Percy (PSD); e René Silva, editor e fundador do jornal Voz das Comunidades. A mediação foi da repórter Roberta de Souza.

O evento é uma iniciativa do Jornal Extra com apoio da Câmara Municipal do Rio de Janeiro e tem o objetivo de promover debates dentro das principais favelas do Rio. O debate contou com a presença de moradores da região, lideranças comunitárias, representantes das categorias de mototaxistas e motoristas de vans e “cabritinhos”, como é chamado o transporte complementar feito por pequenos veículos na comunidade.

— Quando falamos de mobilidade, muitas vezes, falamos dos grandes modais, como trem, metrô, VLT e ônibus. Mas também estamos falando de mobilidade a pé, de bicicleta. A mobilidade contempla diversos campos, escalas e modos de transporte. Aqui no Alemão, temos a questão da dificuldade do acesso. Algumas tipologias de veículos não entram em determinadas localidades, temos dificuldades inerentes ao território — explicou Simone Costa.

Em 2011, o Complexo do Alemão ganhou um teleférico que facilitaria o deslocamento dos moradores que vivem nas regiões mais altas da comunidade. Contudo, o funcionamento está suspenso desde 2016. Para Victor Hugo, o meio de transporte é fundamental para a mobilidade na favela.

— O que mais atende a comunidade é o mototáxi e o cabritinho, que deveriam ter integração com o teleférico. Se tivéssemos isso, atenderíamos a todos os moradores. O ideal seria fazer isso, regulamentar o serviço de mototáxi, integrá-lo também com o cabritinho — defendeu ele.

René Silva acredita que é preciso ampliar os investimentos feitos nos territórios e proteger os trabalhadores das categorias, para combater a sensação de desassistência que predomina entre os moradores.

— É preciso fazer investimentos, como os pontos de mototáxi, olhando e pensando para a categoria de maneira geral. Como essa é uma iniciativa que nasceu da própria favela, quando chegam os concorrentes, como os aplicativos de transporte, isso desestabiliza os mototaxistas. E não tem uma política pensada para contribuir com a continuidade dos mototáxis nos territórios — apontou.

Para Deangeles Percy, as melhorias precisam acontecer em diversas frentes, com foco no incentivo ao uso do transporte público em toda a cidade.

— A mobilidade urbana envolve muita coisa. É preciso priorizar os transportes públicos, porque as comunidades têm muito carro e poucas ruas. É importante melhorar as vans, oferecer melhorias para as categorias. E, para isso, melhorar a pavimentação, pois há muito buraco nas vias. Se você melhora isso, a população vai ter motivação para usar os transportes públicos, o que também desafoga o trânsito na cidade — disse.

Deangeles também defendeu que a solução de problemas pontuais ajuda no avanço da mobilidade, diminui os custos para os motoristas e soluciona dificuldades de transporte dentro das favelas:

— Precisamos fazer a mudança chegar na ponta. E como chega na ponta? Entendendo que, se fizer um pouco aqui, um pouco na Rocinha, você avança na mobilidade. Muitos motoristas gastam muito dinheiro consertando carros. Cada van, por exemplo, tem 16 lugares para passageiros. Se tem três vans quebradas, são 48 pessoas sem o direito de ir e vir. São coisas que precisam ser resolvidas logo, porque o prejuízo é muito grande.

Victor Hugo também defendeu as conversas com a população. De acordo com ele, a Câmara Municipal já ampliou o diálogo com as comunidades:

— No último Plano Diretor, foram feitos vários debates nas comunidades. A população pode e deve sempre ir até a Câmara, mas hoje os vereadores e as comissões também vão até as localidades ouvir a população. Com isso, conseguimos traçar melhor as demandas e chamar para a conversa o Poder Executivo municipal e estadual para discutir o caso de cada favela.



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