— Minha sogra está sob efeito de calmante. Eu não posso desmoronar, porque amamento e tenho que ser forte. Eles tiraram o pai dos meus filhos. Acabaram com a minha família. Meu filho mais velho chega pra mim e fala que o coraçãozinho está doendo, que sente falta do pai. Eu disse que foi um acidente de carro, que o papai passou mal, pra não deixá-lo revoltado. Mas ele é esperto e disse: “mãe, a polícia matou o meu pai”. Ali eu desabei. Eu não queria levá-lo no enterro mas ele pediu e disse: “não me tira esse direito, eu quero enterrar o corpo do meu pai”. Ele só queria brincar com o pai, jogar bola, videogame. O último passeio deles foi domingo passado, no parque de diversões — relembra.


