A senadora do PDT chama atenção para uma violência silenciosa que se disfarça de interesse e ameaça a liberdade de milhares de brasileiros
Vivemos tempos em que a exposição parece natural, quase obrigatória. Compartilhamos fotos, rotinas e sentimentos com o mundo, muitas vezes sem perceber quem está do outro lado da tela. Nesse cenário, a linha entre curiosidade e perseguição tem se tornado cada vez mais tênue — e perigosa.
A senadora Leila do Vôlei (PDT) tem sido uma das vozes mais firmes ao alertar para o avanço desse tipo de violência. Autora da Lei 14.132/21, que tornou o stalking crime no Brasil, Leila tem insistido em um ponto fundamental: muita gente está sendo perseguida e nem sabe.
“Muita gente ainda não sabe, mas pode estar sendo vítima de um crime”, adverte a senadora.
Os números falam por si: mais de 250 mil ocorrências de perseguição já foram registradas desde a aprovação da lei. Casos que, em grande parte, começaram com atitudes aparentemente inofensivas — mensagens insistentes, vigilância nas redes sociais, aparições “casuais” nos mesmos lugares.
Mas o que começa como incômodo logo vira violação da liberdade. E a liberdade, vale lembrar, é um direito humano, não um luxo.
“Mais do que punir, essa legislação protege e ajuda a quebrar o ciclo da violência antes que algo pior aconteça”, destaca Leila do Vôlei.
O stalking, muitas vezes, é o primeiro passo antes de agressões mais graves. É o prenúncio de algo que pode escalar rapidamente para ameaças, constrangimentos ou até violência física. Por isso, reconhecer os sinais e denunciar é essencial — não apenas para quem sofre, mas para toda a sociedade.
“O stalking é uma forma de violência que, muitas vezes, antecede agressões mais graves. Denunciar é o primeiro passo para interromper esse tipo de comportamento abusivo”, reforça a parlamentar.
O desafio é cultural. Ainda há quem romantize a insistência, quem confunda controle com cuidado e invasão com interesse. Mas é justamente por normalizarmos essas atitudes que tantos casos se repetem — e que tantas vítimas se calam.
Leila do Vôlei nos lembra que respeitar o espaço do outro é também um ato de amor e cidadania. Sua lei é mais que um instrumento jurídico: é um alerta ético. Um chamado para repensarmos nossas relações em tempos de excesso de exposição e escassez de empatia.
Porque, no fim das contas, stalking não é sobre afeto, é sobre poder — e todo poder que oprime o outro precisa ser enfrentado com coragem e consciência.


