Entre acusações frágeis, personagens controversos e relatos que não se sustentam, o processo contra Daniel Donizet parece menos sobre ética e mais sobre jogos de poder na CLDF
O caso que envolve o deputado distrital Daniel Donizet tem todos os elementos de uma narrativa política clássica: acusações graves, denúncias mal explicadas e, acima de tudo, uma suspeita crescente de que tudo não passa de um roteiro montado para atingir sua imagem.
O próprio parlamentar sustenta que órgãos internos da CLDF — Procuradoria e Corregedoria — já concluíram que não há provas concretas contra ele, o que torna o adiamento no Conselho de Ética apenas um prolongamento de um desgaste que interessa a outros atores.
Além da inconsistência dos relatos, chama atenção o perfil dos acusadores. O principal deles está preso por outros crimes, e o suposto intermediário, Ítalo da Silva Miranda, teria tentado negociar cargos e dinheiro para “mudar versões”.
Para qualquer observador minimamente atento, a situação sugere mais chantagem do que compromisso com a verdade. Até mesmo o termo “teste do sofá”, amplamente repercutido politicamente, não aparece em nenhum depoimento oficial — detalhe que escancara a vontade de transformar o caso em munição eleitoral.
No fim das contas, o que sobra é a sensação de que Donizet se tornou alvo de um jogo pesado, movido por interesses que vão muito além da ética.
A combinação de contradições, tentativas de extorsão e depoimentos frágeis dá força à tese de que há uma construção política em andamento, talvez até uma articulação para abrir caminho ao suplente. Enquanto isso, o processo segue parado — e o desgaste segue em curso, exatamente como alguns parecem desejar.


