Sabatina ocorre, na próxima terça na CLDF, em meio a um dos maiores escândalos financeiros da história do país
O Distrito Federal vive uma crise financeira e institucional sem precedentes no Banco de Brasília (BRB), depois que a instituição investiu quase R$ 16 bilhões em papéis considerados de alto risco – e hoje vistos como “podres” – ligados ao Banco Master.
O estrago vai além do balanço contábil: atinge diretamente a confiança da população, dos investidores e do próprio funcionalismo público, que depende do banco para folha de pagamento, crédito e serviços essenciais.
No epicentro dessa tempestade está a Operação Compliance Zero, que levou ao afastamento e a demissão do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e escancarou um modelo de gestão temerário, politizado e pouco transparente.
É nesse cenário explosivo que os deputados da Câmara Legislativa do DF (CLDF) farão, na próxima terça-feira (25/11), a sabatina de Nelson Souza, indicado pelo governador Ibaneis Rocha para assumir o comando do banco.
Ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Souza tem currículo técnico e longa carreira no sistema financeiro público, mas chega cercado de desconfiança. A pergunta que ecoa nos bastidores do Buriti e nos corredores da CLDF é simples e brutal: ele terá autonomia real para desmontar o legado de decisões arriscadas ou será apenas um nome técnico para tentar estancar a sangria política?
A tentativa do GDF de vender a indicação como “resposta rápida e técnica” soa insuficiente diante do tamanho do rombo. O caso não é apenas administrativo — é político. A crise do BRB nasce de escolhas feitas no coração do poder, envolvendo relações perigosas com o Banco Master e seus operadores.
A sabatina de Nelson Souza precisa ir além da formalidade protocolar: deve ser um momento de confronto, prestação de contas e esclarecimentos duros. Afinal, em jogo não está apenas a presidência de um banco, mas o destino de bilhões de reais do povo do Distrito Federal.


