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Jogador que mais atuou pelo Flamengo, Junior elege quem pode ser chamado de novo Maestro

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Um dos ícones da geração de ouro multicampeã nos anos 1980, Junior é o único que pode se orgulhar de ser o rosto de um dos títulos mais importantes do Flamengo. Afinal, é inevitável pensar no Brasileiro-92 e não associá-lo ao “vovô garoto”. E ele admite ser este um de seus maiores orgulhos. O jogador que mais atuou pelo rubro-negro (875 vezes) e número 2 no ranking EXTRA de maiores ídolos reflete sobre sua trajetória e a relação com a torcida e elege quem do grupo atual merece o apelido de novo Maestro.
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Você já contou algumas vezes que começou a treinar no Flamengo para agradar o seu tio, já que sua cabeça focada na faculdade. Como teria sido sua vida se tivesse tomado outra decisão?
Não tenho nem ideia. Minha vida, na verdade, foi muito dividida entre a casa e o clube durante muito tempo. Jamais imaginei o Flamengo sem fazer parte da minha vida. Eu acho que foi o casamento que deu certo e que dá até hoje.
Mas é o tipo de coisa que você não programa, né? Eu não programei ficar tanto tempo no mesmo lugar, o que é motivo de orgulho e satisfação. Todo mundo pode ter qualquer título, mas acho que o de mais jogos com a camisa do clube dificilmente vai ser batido. Desde 1974 passaram 51 anos, né? Na verdade começou em 1970, quando eu joguei futebol de salão no clube. Acho que a partir dali foi que realmente aflorou todo o sentimento em relação ao clube.
Ter sido quem mais vezes vestiu a camisa do Flamengo é o seu maior orgulho quando fala da sua trajetória no clube?
Orgulho de ter feito parte da história de um clube de 130 anos, né? Acho que tenho um capítulozinho ali. Sobretudo no final de carreira. Porque uma coisa é você fazer parte da história com todos os outros grandes ídolos: Zico, Leandro, Raul… E outra é você fazer parte com jogadores que não conseguiram atingir o patamar desses meus colegas, de grandes conquistas. Eu vi esses garotos crescerem e, depois, com uma certa dor no coração, vi eles serem protagonistas em outros clubes. Esses são momentos que não tem como a gente esquecer. Você viver, como eu com 20 anos, sendo campeão carioca, recém-chegado no time principal. E também, com 38, 39 anos, ser campeão brasileiro juntamente com essa garotada. São dois lugares que me dão prazer, satisfação.
Eu digo que todos os outros títulos foram importantes. Mas (no Brasileiro de) 1992 (eu) era o último, o remanescente de toda aquela trajetória de ouro. E isso acho que foi uma coisa importantíssima na minha carreira. Porque com os outros (nos anos 1980) eu dividi. Ali (em 1992) eu era mais protagonista do que os que estavam iniciando a carreira, juntamente com Gotardo, Gaúcho, Gilmar… Isso me enche de orgulho também. Mas é lógico que você ter o número de 876 jogos pelo clube também é um orgulho. E isso acho que ninguém vai bater.
Você fala com muito carinho desse título de 1992. Foi o mais especial?
Cada um tem sua importância na minha trajetória. Por exemplo, o (Carioca) de 1974. Foi meio inesperado. Eu jogava no meio-campo do juvenil. Joguei um segundo turno como lateral-direito por uma necessidade e acabei convencido a permanecer para que pudesse ter mais possibilidades no time principal. Porque no meio havia muita concorrência. Aí seis meses depois eu já estava no time principal, sendo campeão carioca, fazendo gols. Não esperava. Então esse tem uma importância grande. Da mesma forma como aquele de 18 anos depois, em 1992, quando eu já estava encerrando a carreira.
Os do meio acho que foram consequência da sorte de ter participado de uma geração que marcou a história do clube. Acho que esses dois, as duas pontas, o de 1974 e o de 1992 têm um algo mais.
Junior festeja seu gol sobre o Botafogo na final do Brasileiro de 1992
Cezar Loureiro/Acervo O GLOBO
O que representa ser ídolo da torcida do Flamengo?
Primeiro você tem que se posicionar em relação a isso. Saber que você tem um lugar no coração dessas pessoas que são maiores do que todas as outras. Porque eu joguei praticamente em três décadas: 1970, 1980 e 1990. Então aquele cara que em 1974 tinha 20 anos hoje tem a minha idade. E aquele de 1992 hoje já tem filho, para quem ele conta essa história. Isso é muito legal. Passa um filmezinho na cabeça de tudo aquilo que você viveu durante esse período.
E você tem alguma história com torcedor? Já te deram algum presente muito marcante?
No ano passado, quando eu fiz 70 anos, uma torcida do Sul do Estado trouxe um busto meu. Está guardado comigo. E tem aqueles que falam “Botei o nome do meu filho de Júnior”. Eu brinco que Júnior é fácil, quero ver é botar Leovegildo. Mas saber esse tipo de coisa mexe um pouco comigo.
Junior é o jogador que mais atuou com a camisa do Flamengo
Leo Martins
Para você o que explica essa força popular do Flamengo?
A gente fazia muitas viagens para o Norte e Nordeste nos anos 1970. Em Ilhéus, em Itabuna tinha sempre um (amistoso) Vasco x Flamengo. E a gente não entendia como é que aquilo tinha tanta repercussão, estádio lotado. Ali a gente começa a ver a dimensão do que foi o rádio naquela época, de entrar no interior do Nordeste e do Norte. Você vê que pessoas a não sei quantos mil quilômetros da sede do clube, do Maracanã, que se preocupam, vibram, choram, vivem o Flamengo. Eu acho que essa popularidade do clube vem desde a época do rádio. As pessoas se apaixonavam pelo clube escutando o rádio. E, logicamente, depois de um período vencedor e extremamente inspirador, que foi de 1978 a 1983, você vê que a torcida teve um crescimento. Você vê que aquilo e diz “Caramba, participei daquilo. Fiz a nação crescer também”. Isso também é muito legal.
E você acha que hoje o Flamengo ainda tem esse caráter popular?
É diferente. Hoje a gente vê que muita gente vai mais pelo glamour. Naquela época iam pelo coração. Mas acho que o sentimento continua sendo o mesmo. Haja visto o Maracanã. Você vê 70 mil pessoas como um público mais do que normal para a torcida do Flamengo. Porque ela vai na boa e na ruim, não escolhe. Só que na ruim ela cobra muito mais. Porque ela quer ter o retorno, que é vitória e conquista. Quem está jogando precisa entender isso. E eu não sei se muitos hoje entendem. Porque é uma troca, né? “Eu vou te dar um bom futebol e você vai me dar carinho, amor, paixão.
O que seria esse glamour?
Falam da “Fla selfie”. Na nossa época não tinha isso. Hoje é a modernização. Toda essa garotada que vai por isso e que não tem o mesmo sentimento que tinham (os mais antigos). São Flamengo, são apaixonados. Mas não têm aquela mesma visão que tinha aquele torcedor de antigamente.
Isso que você está falando se conecta muito com as queixas ao processo de elitização do Maracanã…
Isso em função até mesmo da diminuição do estádio, né? A geral para a gente era a cara do Flamengo. Você ia bater o córner e o cara dizia “Bate no segundo pau”. Aí você batia, fazia o gol e ele falava “Eu te falei!” Essas coisas sabe? Os caras que (corriam pela geral e) acompanhavam o ataque. Essa interação popular mesmo, com o cara que tem menos condição, que sempre se sacrificou para ver uma vitória do clube.
Queria falar dos seus gols. Tem algum que você considera o mais bonito? Ou mais importante?
Eu vou mais ou menos na mesma linha dos títulos. Em 1974, quando comecei, eu faço dois gols contra o América. Um (o segundo) foi bonito até, foi de longe. Mas o primeiro foi extremamente importante para mim. Porque foi aquele que me deu a possibilidade de me solidificar como titular. Tinha pouquíssimos jogos no time de cima. E que me dizia “Bom, eu posso ser um profissional de futebol”. Porque eu não tinha essa certeza, estava começando e a concorrência sempre foi muito grande.
E depois lá no final (da carreira), na outra ponta. O primeiro gol no segundo jogo (do Brasileiro de 1992) contra o Botafogo. Porque ali foi o quarto (no agregado). Acabou, né? Era o gol do título. Nesse mesmo campeonato eu fiz um gol contra o Botafogo lá de fora. Eu nunca chutei daquele jeito, com 60 metros, que a bola entrou lá no ângulo. Essa é a beleza. Mas importância eu acho que esses outros dois é que têm. Muito grande.
Junior como lateral-direito na jogo entre Flamengo e America, pelo triangular final do Carioca de 1974
Acervo O GLOBO
Em 2004 você teve uma passagem pelo Flamengo como diretor de futebol. Como foi viver esse outro lado do clube?
Primeiro eu tive duas passagens como treinador. Uma quando parei de jogar. E depois em 1997. Eu nunca tinha pensado em ser treinador. Minha ideia, na verdade, era ser diretor técnico. Um supervisor, um coordenador, uma coisa desse tipo que eu tinha visto na Itália e que me fascinava muito. Mas é aquilo: Flamengo não é convite, é convocação.
Em 2004, foi quando o Márcio Braga fez a história do Fla Futebol. O quê que era? Nada mais do que fazer um departamento todo de profissionais. Aí eu falei para o Márcio: “Eu vou. Mas a gente precisa ter um pouco de autonomia para fazer as coisas”. Ele prometeu, mas não tive autonomia nenhuma. Nós éramos profissionais. O João Henrique Areas, um pioneiro do marketing esportivo; o José Maria Sobrinho, um cara com ampla visão de planejamento; o Paulo César Pereira, que hoje está lá na parte jurídica; e eu na parte técnica. A gente escolhe um treinador, com esse treinador a gente vai escolher o elenco. Ficamos um dia e meio dentro de um hotel planejando todo o ano de 2004.
Eu achava que conhecia o clube. Mas não conhecia nada. Porque é um outro lado, o político, da vaidade, do “eu faço, eu mando, eu quero”. Então eu dizia sempre que tinha muita responsabilidade, mas autoridade nenhuma. Porque chegava às 8h e saia às 21h. E o cara que chegava às 18h desautorizava um monte de coisa. Foi uma experiência espetacular em todos os sentidos. Mas foi dolorosa.
Desde a sua saída, em 1993, até 2006 o Flamengo viveu um período de lutas contra o rebaixamento e de caos administrativo. Como é que você acha que o clube conseguiu manter a grandeza dele?
Eu acho que é só a paixão de torcedor e a abnegação de alguns dirigentes para fazer com que a coisa se mantivesse em pé. Isso foi fundamental. Porque parecia realmente que era uma situação irrecuperável. Quando a gente viu os números dizia “Isso aqui é impagável”.
E o mais engraçado é que a gente tinha conseguido, numa situação lá atrás, nos anos 1970, sair daquela situação até chegar aos anos 1980, onde todo mundo queria jogar no Flamengo porque pagava bem, porque ganhava tudo. E de repente você vê a coisa andando para um declínio. Aquilo ali era real. Até chegar essas pessoas que estão lá até hoje. Conseguiram fazer com que o clube se recuperasse de uma forma que virou exemplo. Para nós que vivemos aquele período, foi o melhor que pôde acontecer com a instituição.
Como é sua relação com o clube hoje?
Pela minha posição, como comentarista, eu até prefiro que exista uma certa distância. Porque as pessoas falam. Mas se estou há 27 anos comentando jogos e nunca tive problema, não vai ser agora que vai ter. Então quando tem um evento do clube ou do (time) master eu participo com o maior prazer.
Uma pontinha de mágoa foi quando teve, em 2021, os 40 anos do campeonato mundial e o clube não fez uma festa para o maior título da história do clube. Eu e o Tita tivemos que nos mobilizar para fazer uma, trouxemos todos os jogadores. Até hoje eu não consigo entender isso. Só quem estava dirigindo o clube, que era Landim e companhia, que podem dizer o porquê.
E sobre o time atual, quem você considera o Júnior, o maestro desta geração?
Rapaz, acho que o Arrasca. Eu sou muito mais extrovertido que ele. O Arrasca é muito na dele. É da personalidade dele, né? Mas vejo que ele é um cara extremamente participativo. Um cara que deu uma contribuição muito grande nesses últimos anos, que encara o espírito. Eu vi que o Arrascaeta que chegou, que vibrava pouco, é completamente diferente desse de hoje. Hoje ele incorpora a alma rubro-negra.



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