“”Como era uma criança com o gene do HIV, ninguém a queria. O desembargador agilizou a papelada e, em um mês, já era meu filho legítimo. Rápido demais, dadas as circunstâncias. Um processo desses costuma levar anos. Nos primeiros dias, o médico chegou a me indagar se eu tinha certeza, se não era o caso de virar tutor dele. Eu poderia me arrepender depois, argumentou. O que ele não entendeu é que nada disso importava — Francisco já era meu filho. E o tema nunca foi tabu lá em casa. Hoje moramos em Lisboa, onde ele é auxiliar de cozinha numa rede de comida natureba e está prestes a virar o chefe de todo o staff. Dos meus cinco filhos e filhas, é o único que mora sozinho. Está com ótima saúde e vem criando casca, descobrindo sua independência. Um pouco mais para a frente, planeja se mudar para a Itália, estudar em uma escola de gastronomia e se transformar em um grande chef”.


