— Esses garotos crescem ouvindo tiro, já com a violência na porta de casa. Então, eles desenvolvem um senso de autodefesa muito pautado na ideia de que ninguém pode protegê-los. É normal que eles tenham uma fala empoderada, sustentando que estão ali para matar e morrer, sendo “sujeito homem”. Mas, no fundo, ainda são adolescentes cercados de mazelas. Esse ódio que eles relatam demonstra uma total desconfiança em tudo, uma inadequação a tudo. Entendo como: “eu não tenho ferramenta psíquica para elaborar o que eu tô sentindo, então, odeio tudo que é estrutural, que representa regra e que, automaticamente, eu não me encaixo” — aponta Livia Vidal, coordenadora-geral do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo e do Meio Aberto (Sinase).


