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Senadora Leila aciona órgãos de controle contra má gestão do GDF, envolvendo BRB e venda do Centrad

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A parlamentar pede investigação sobre gestão temerária, riscos ao patrimônio público e falhas graves de governança no Distrito Federal

A sucessão de episódios recentes envolvendo o Governo do Distrito Federal revela um cenário preocupante: sinais de descontrole administrativo, decisões pouco transparentes e fragilidades institucionais que colocam em risco o patrimônio público e a confiança da população. Diante desse quadro, a iniciativa da senadora Leila do Vôlei (PDT-DF) de acionar os órgãos de controle não apenas se justifica, como se impõe como uma resposta política necessária.

Ao encaminhar ofícios ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e ao Ministério Público de Contas do DF (MPC-DF), a parlamentar joga luz sobre três temas sensíveis que, embora distintos, convergem para um mesmo problema estrutural: a falta de governança e de transparência na administração pública distrital. Quando fatos dessa natureza se acumulam, o silêncio institucional deixa de ser prudência e passa a ser conivência.

O caso mais emblemático envolve o Banco de Brasília (BRB), instituição financeira estatal que deveria operar sob rígidos critérios técnicos e de mercado. O crescimento expressivo e fora da curva de empréstimos concedidos a membros da própria diretoria levanta questionamentos inevitáveis. Não se trata apenas de eventual ilegalidade, mas de ética administrativa. A simples aparência de favorecimento já compromete a credibilidade do banco e reforça a percepção de interferência política indevida em uma instituição que deveria servir ao interesse público, não a interesses internos.

Outro ponto que causa estranheza é o anúncio da venda do Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad) por cerca de R$ 600 milhões. A falta de clareza sobre os critérios de avaliação do imóvel e a proximidade do valor divulgado com estimativas antigas — que sequer incluíam o valor do terreno, pertencente à Terracap — acendem o alerta máximo.

Em um momento de restrição fiscal, qualquer indício de subavaliação do patrimônio público representa potencial prejuízo milionário aos cofres do DF. Vender patrimônio sem transparência é, no mínimo, um ato de irresponsabilidade administrativa.

Não menos grave foi a indisponibilidade prolongada de sistemas essenciais das áreas de Planejamento e Fazenda, como o SIGGO e o Portal Nota Legal. Em plena era digital, ficar mais de uma semana com sistemas estruturantes fora do ar expõe não apenas falhas técnicas, mas um preocupante despreparo na gestão de tecnologia da informação. A interrupção compromete arrecadação, fiscalização, prestação de serviços e a própria transparência fiscal, pilares básicos de qualquer administração moderna.

Ao solicitar auditorias, apurações e eventual responsabilização de agentes públicos, Leila cumpre o papel que se espera de um mandato comprometido com a fiscalização e a defesa do interesse coletivo. O acionamento dos órgãos de controle não é um gesto de oposição automática, mas um instrumento legítimo de proteção ao erário e de fortalecimento das instituições.

O Distrito Federal não pode se acostumar a explicações vagas, decisões mal fundamentadas e apagões administrativos tratados como meros “incidentes”. A sociedade brasiliense exige respostas claras, responsabilização quando necessária e, sobretudo, respeito ao dinheiro público. Nesse contexto, a cobrança feita pela senadora não é excessiva é o mínimo que se espera de uma democracia que ainda leva a sério a ideia de gestão pública responsável.

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