Quando o humor deseja apagar: fatos, gestão e o debate sobre Arruda
Em ano pré-eleitoral, tem gente que prefere piada velha a debate sério. Em vez de discutir propostas, números e resultados, recorre-se a personagens do passado para tentar colar rótulos fáceis e enganar o eleitor. É o velho truque: quando falta argumento, sobra caricatura.
É assim que tentam, agora, empurrar goela abaixo a comparação entre o ex-governador José Roberto Arruda e o personagem criado lá em 1990 para ridicularizar Elmo Serejo Farias.
A piada pode até funcionar em roda de bar, mas não se sustenta diante da história real do DF. É forçação de barra — e das grandes.
Arruda governou o Distrito Federal entre 2007 e 2010, e isso não é opinião, é fato documentado. Está tudo registrado em leis, contratos, relatórios oficiais, orçamentos e atos administrativos.
Não foi governo de discurso vazio nem de “olha lá a lua”. Foi gestão com planejamento, obras iniciadas, programas implantados e decisões assumidas — goste-se ou não dele.
Na vida real, obra pública não nasce pronta nem termina em um único mandato. Só quem nunca administrou nada acredita nisso.
Metrô, escolas, hospitais, saneamento, mobilidade urbana: tudo passa por etapas longas, técnicas e caras. Reconhecer que um governo planejou, iniciou ou estruturou algo não é roubar mérito, é simplesmente não mentir para o eleitor.
Na educação, o governo Arruda investiu pesado em infraestrutura, ampliou escolas, contratou profissionais e criou bases que permitiram avanços depois.
Em saneamento, urbanização e segurança, o mesmo roteiro: políticas públicas reais, com acertos e erros — como qualquer governo. Agora, fingir que nada existiu é desonestidade política pura.
O ataque aos Postos Comunitários de Segurança (PCS) segue a mesma lógica rasteira. Viraram chacota, apelido, meme. Só esquecem de dizer que eram parte de uma política nacional de policiamento comunitário, adotada em vários estados. Funcionou perfeitamente? Não. Mas reduzir tudo a deboche não melhora a segurança pública — só revela má-fé ou preguiça intelectual.
Essa obsessão em transformar Arruda em personagem de sátira mostra o desespero de quem não quer discutir gestão.
É mais fácil contar piada do que encarar dados, números, decisões difíceis e resultados concretos. Apostam que o eleitor não vai lembrar, não vai checar, não vai pensar. Subestimam a inteligência de Brasília.
O DF já viu muito folclore político, muita promessa vazia e muita encenação. Hoje, porém, tem uma população mais madura, que cobra proposta, comparação honesta e memória factual.
Piada requentada pode até render clique, mas não resolve problema de escola, hospital ou transporte.
No fim do dia, eleição não se ganha com apelido, deboche ou personagem antigo. Ganha-se com projeto, coragem para enfrentar o debate, disposição para assumir erros e capacidade de defender acertos.
Quem foge disso prefere rir — porque argumentar dá mais trabalho.



