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Buriti tenta a todo custo colar a suposta inelegibilidade de Arruda… mas como vai Celina e a Drácon?

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A velha tática da digressões nas notícias para tirar o foco do verdadeiro alvo.

No Distrito Federal, a política segue como um tabuleiro onde as peças são movidas tanto pelo Judiciário quanto por intensas operações de comunicação — nem sempre transparentes. O Palácio do Buriti e seus aliados continuam a martelar, em sites, blogs e redes alinhadas, a tese de que José Roberto Arruda (PSD) estaria inelegível para 2026, ancorando-se na manutenção de decisões do TJDFT que preservam condenações por improbidade administrativa (como a recente negativa de agravo interno pelo Conselho da Magistratura). A narrativa é insistente: Arruda fora do páreo, ponto final.

Mas essa insistência esbarra em uma realidade jurídica mais complexa e decisiva: quem, de fato, definirá se essas condenações do TJDFT impactam a elegibilidade de Arruda perante a Lei da Ficha Limpa é o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — e não o tribunal local ou a imprensa marrom que orbita o governo. O TSE é a instância responsável por registrar (ou indeferir) candidaturas nas eleições majoritárias, analisando a aplicação concreta da LC 64/1990 (alterada pela LC 219/2025) a cada caso concreto, incluindo prazos de inelegibilidade, retroatividade de normas e eventual trânsito em julgado. Até o momento, não há decisão definitiva do TSE barrando Arruda para 2026; especialistas divergem sobre os efeitos da nova lei (que unifica ou limita prazos a até 12 anos a partir de condenação colegiada), com a PGR questionando aspectos no STF e ex-ministros argumentando contra retroatividade benéfica em casos de improbidade. A defesa de Arruda sustenta elegibilidade plena, e ele segue filiado ao PSD, presente em pesquisas e cortejado politicamente.

Enquanto o governo tenta forçar essa pecha de inelegibilidade — estratégia que beira a manipulação midiática, quando não configura tentativa de disseminar desinformação para desgastar um adversário —, o foco desviado coincide com o aquecimento de outro front bem mais próximo: a Operação Drácon. Em dezembro de 2025, a desembargadora Nilsoni de Freitas Custódio declinou competência para o Conselho Especial do TJDFT julgar recursos após absolvição em primeira instância da vice-governadora Celina Leão (PP) e outros ex-deputados. O caso — áudios de supostas negociações de propina por emendas para leitos de UTI em 2015-2016 — ganha agora colegiado mais robusto (11 desembargadores), com maior repercussão política e potencial para desdobramentos que afetem a imagem e a viabilidade eleitoral da pré-candidata do grupo no poder.

A sincronia não é coincidência: amplificar um suposto impedimento de Arruda (sem respaldo definitivo do TSE) enquanto o “quintal” de Celina volta a ser examinado com lupa revela uma tática clássica de distração. Ignorar ou minimizar o próprio risco judicial, ao mesmo tempo em que se investe pesado para desqualificar o concorrente, não fortalece credibilidade — apenas expõe incoerências. A sociedade brasiliense, que já pagou caro por esquemas envolvendo saúde pública e emendas, cobra coerência: não narrativas seletivas, mas fatos e decisões judiciais imparciais.

Em Brasília, 2026 se aproxima e o TSE, não blogs aliados, será o árbitro final da elegibilidade. Até lá, tentativas de colar fake news ou meias-verdades como verdade absoluta só reforçam a percepção de que, para alguns, o jogo vale mais a narrativa do que a verdade. A política distrital merece melhor.

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