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Socialização das perdas: o rombo do BRB e a conta que o DF vai pagar sem cobrar os culpados

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Analogia do condomínio resume o que está acontecendo no Distrito Federal: erro bilionário tem nome e sobrenome, mas a solução é ratear o prejuízo entre os moradores.

Imagine um condomínio onde o síndico e um conselheiro, por conta própria e com total negligência, resolvem quebrar toda a tubulação da piscina para uma reforma mal planejada e desnecessária. Prejuízo: R$ 500 mil. Em vez de os responsáveis serem chamados a ressarcir o dano — afinal, todos sabem quem foram e o que fizeram —, a administração emite um boleto extra salgado para todos os condôminos pagarem imediatamente, sem auditoria das notas fiscais, sem explicação detalhada, sem punição. Os culpados seguem no cargo, o erro vira “problema coletivo” e quem nada decidiu arca com a conta.

É exatamente isso que está acontecendo com o Banco de Brasília (BRB). O rombo bilionário — créditos podres de R$ 12,2 bilhões comprados do Banco Master, perdas agravadas por distribuição agressiva de lucros e compras suspeitas de ações via laranjas — tem responsáveis identificados: diretores da época, interlocutores políticos que defenderam a operação mesmo com alertas gritantes do BC e da imprensa. Apesar disso, o governo Ibaneis Rocha envia à CLDF um projeto que autoriza o uso de imóveis públicos como garantia para empréstimo de até R$ 6,6 bilhões, além de emissão de ações para captar bilhões extras. A conta? Vai parar no patrimônio do Distrito Federal — ou seja, no bolso do contribuinte.

Salvar uma instituição sem identificar, punir e cobrar quem a levou ao abismo não é gestão responsável; é a institucionalização da impunidade. Onde está a CPI na Câmara Legislativa para passar a limpo esses balanços, ouvir depoimentos sob juramento e exigir ressarcimento? Onde está o rigor com os que, por incompetência ou dolo, comprometeram recursos que deveriam servir a escolas, hospitais e segurança pública? Não podemos aceitar que a “solução” seja sempre a socialização das perdas: quando o erro tem nome e sobrenome, a conta não pode ser dividida entre quem nada decidiu.

A luz da transparência precisa ser lançada urgentemente sobre esses porões. Antes que mais ativos públicos desapareçam para cobrir falhas de poucos, é hora de cobrar explicações, auditorias independentes e, se for o caso, responsabilização civil e penal. O patrimônio do DF não é caixa eletrônico de ninguém. Quem errou, que pague — não o cidadão que só queria um banco sólido e serviços decentes.

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