Com a inelegibilidade superada pela nova lei de prazos da Ficha Limpa, o ex-governador consolida força popular enquanto Celina Leão carrega o peso de um governo marcado por escândalos e desgaste.
As articulações nos bastidores para barrar José Roberto Arruda via Judiciário — o famoso “tapetão” — perdem força. Membros da atual gestão e dirigentes partidários já admitem, em conversas reservadas, que a tentativa de declarar o ex-governador inelegível não deve prosperar. A razão é clara e técnica: as novas regras de inelegibilidade, aprovadas pelo Congresso e sancionadas pelo presidente Lula, estabelecem limites temporais precisos à Lei da Ficha Limpa. Condenações não são eternas no Brasil, e Arruda está afastado da vida pública há mais de 15 anos. Juridicamente, ele está blindado e elegível para 2026, como confirmam análises do PL e veículos como Veja.
Enquanto isso, uma rede coordenada de veículos tradicionais e blogs alinhados ao governo tenta restringir o espaço de Arruda na mídia e disseminar a narrativa de que ele estaria impedido. A ideia é criar um clima de fato consumado: repetir a versão de inelegibilidade até que pareça verdade. O objetivo é claro — tirar o adversário do jogo antes mesmo da campanha começar, usando o poder econômico e a máquina de comunicação para influenciar a opinião pública. Mas a estratégia começa a mostrar sinais de esgotamento. Nas ruas e nas pesquisas, o recall de Arruda nas cidades-satélites permanece forte.
Olhe os números com atenção. Nas pesquisas espontâneas (quando o eleitor é perguntado “em quem você votaria para governador?” sem lista de nomes), Celina Leão aparece na frente — o que é natural, pois ela é vice e herdeira da máquina. Mas mal passa dos 20%, um teto que se repete há seis meses. Já nas pesquisas estimuladas, com nomes apresentados, Arruda lidera ou empata tecnicamente. Ou seja: quando o eleitor conhece as opções reais, o quadro muda. A candidatura de Celina, que assumirá o comando do DF após a desincompatibilização de Ibaneis em 28 de março, carrega o peso de um governo que enfrenta o maior escândalo financeiro da história do Brasil (o rombo do BRB), caos na saúde, educação em queda, aumento da criminalidade e obras faraônicas que não resolveram problemas estruturais.
Não há legado positivo forte o suficiente para Celina vender. A previdência dos servidores é dilacerada, a administração é marcada por denúncias diárias e a imagem de “continuidade” pesa mais como fardo do que como vantagem. Arruda, ao contrário, aposta no voto direto: agendas regionais, contato com a base popular e o discurso de “volto para arrumar o que quebraram”. A polarização está desenhada: de um lado, a força da máquina pública; do outro, o recall e a rejeição ao atual ciclo.
No fim das contas, o jogo terá de ser decidido nas urnas. O tapetão jurídico parece não colar. Arruda terá que ser derrotado no voto — e, pelo cenário atual, isso não será tarefa fácil para uma candidatura que herda um governo implodido por escândalos e sem resultados concretos para mostrar. O eleitor brasiliense, especialmente nas cidades-satélites, costuma ser implacável com quem tenta encurtar o caminho pela via judicial em vez do debate democrático.
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