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Prisão de Paulo Henrique Costa – “Sinto muito” por quem Celina?

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O relógio não para. E hoje, com a prisão de Paulo Henrique Costa pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, o tic-tac ficou ensurdecedor.

Celina Leão, agora governadora em exercício, correu para os microfones. E o que entregou foi um espetáculo de contradições, desculpas mal costuradas e atos falhos dignos de manual de psicologia.

“As pessoas que penalizaram o BRB precisam ser punidas”, disse ela. “*Eu sinto muito*. Mas as pessoas têm de pagar pelo que fazem de errado.”

Sente muito por quem, governadora?

Pelo ex-presidente do BRB preso por receber propina de R$ 146,5 milhões em imóveis de luxo?

Pelo esquema que levou o banco público à beira da liquidação?

Pelo rombo multibilionário que o contribuinte brasiliense vai pagar com sangue, suor e impostos?

Ou sente muito mesmo é porque a bomba explodiu no colo do governo que ela ajudou a tocar por anos como vice?

Celina jura de pés juntos: “Nunca participamos, nunca anuímos nenhuma decisão sobre o BRB”.

Claro. Vice-governadora invisível, que participava de “todas as decisões” quando convinha, mas vira estátua quando o assunto é o maior escândalo financeiro da história recente do país.

Mais adiante, o ouro: ela conta que, meses antes, reuniu o setor produtivo e já avisava que trocaria Paulo Henrique Costa. “Não tinha informações de absolutamente nada”, garantiu. Mas achava a gestão dele “muito longe das necessidades da população”. Patrocínio de corrida em Dubai, lancha em Miami…

Peraí.

Se não sabia de nada, como já tinha diagnóstico tão preciso? Se não participava de decisões, por que reuniu o setor produtivo para discutir a cabeça do presidente do BRB? E por que o apelo foi para mantê-lo, e ela disse que não manteria?

Ato falho atrás de ato falho.

Celina tenta se pintar como a salvadora que chegou para “mudar a gestão” e “escolher seu time”. Esquece, convenientemente, que passou anos como vice de Ibaneis, no mesmo governo que autorizou a negociata desastrosa com o Banco Master. Agora posa de inocente útil, de gestora séria que “prezou pela discrição”. Discrição?

Enquanto isso, o BRB segue sangrando. O DF segue ameaçado de intervenção ou liquidação. E o contribuinte segue com a conta na mão.

Celina Leão não convenceu ninguém hoje. Nem a si mesma, aparentemente. Suas palavras soam exatamente como o que são: tentativa desesperada de pular fora do barco que ela ajudou a furar.

O povo não é burro. Percebe quando o discurso muda conforme o vento da PF. Percebe quando o “sinto muito” sai com gosto de autopreservação.

Motivos eles deram de sobra.

O governo desmorona. A delação segue seu curso. E o eleitorado, esse, não tem memória curta. Chega de teatro. Chega de “eu não sabia”. A verdade está chegando — e não será discreta.

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