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Semana Legislativa pela Mulher debate violência política de gênero em audiência pública

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Semana Legislativa pela Mulher debate violência política de gênero em audiência pública

Evento discutiu casos concretos e políticas públicas contra a prática discriminatória de excluir ou restringir a participação de mulheres no ambiente político

Interromper a fala, desqualificar a competência, difamar, excluir de decisões e cargos importantes, desviar recursos para candidaturas masculinas. Esses são alguns exemplos de violência política de gênero, prática discriminatória de excluir ou restringir a participação de mulheres no ambiente político. O tema foi debatido em audiência pública, nesta terça-feira (19), na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). A discussão fez parte da 7ª Semana Legislativa pela Mulher, cuja programação continua até quinta-feira (21).

>> Confira as fotos da audiência no banco de imagens da Agência CLDF

A Procuradora Especial da Mulher da CLDF, deputada distrital Jaqueline Silva (MDB), comentou sobre situações vividas ao longo da carreira legislativa. “No início do meu primeiro mandato, em 2019, várias pessoas olhavam e falavam: ‘ela não vai dar conta, é só mais uma mulher frágil, é só uma comerciante’”, lembrou.
 

A procuradora Especial da Mulher da CLDF, deputada distrital Jaqueline Silva (Foto: Felipe Ando/Agência CLDF)

“Quando assumi a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), uma das comissões terminativas mais importantes dessa casa, por diversas vezes ouvi palavras muito infelizes, como se nós não pudéssemos ocupar espaços de poder. Isso entristeceu o meu coração, mas me deu ainda mais gás e determinação para continuar e lutar”, recordou a parlamentar, que atualmente é presidente da Comissão de Assuntos Fundiários (CAF).

Jaqueline incentivou o envolvimento das mulheres na política, ressaltando que há apenas quatro deputadas entre os 24 parlamentares da CLDF. “Se não estivermos aqui, como vamos garantir política pública que valorize, que cuide de todas nós? A participação é fundamental. A distância do processo político não vai trazer melhores dias”, analisou.

“Você vai entrar muda e sair calada”

A subsecretária de Ações Temáticas e Participação Política da Secretaria da Mulher do DF, Dayanne Timóteo, fez um relato impactante sobre um caso de discriminação, ocorrido há cerca de sete anos. Ela contou que, na época, era a única mulher nos cargos de alta gestão de uma secretaria. Em uma ocasião, o chefe de gabinete orientou individualmente todos os subsecretários sobre a dinâmica de um evento, menos ela, a única mulher subsecretária.

Quando Dayanne abordou o chefe de gabinete, ela recebeu a seguinte orientação: “Você vai entrar muda e sair calada”. Apesar disso, ela conseguiu sair fortalecida do episódio, pois o secretário da pasta, mesmo sem saber do ocorrido, convidou Dayanne para abrir os discursos do evento.
 

A subsecretária de Ações Temáticas e Participação Política da Secretaria da Mulher do DF, Dayanne Timóteo (Foto: Felipe Ando/ Agência CLDF) 

“Depois o caso repercutiu, porque eu não fiquei calada”, contou Dayanne. “Falar de violência política de gênero é falar sobre vozes femininas que tentaram calar ao longo da história. Vozes que muitas vezes foram interrompidas”, afirmou a subsecretária.

Atualmente, as mulheres podem contar com o Disque 180, telefone da Central de Atendimento à Mulher com funcionamento 24h, que oferece orientações, faz registros e encaminhamentos de denúncias aos órgãos competentes.

A presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-DF, Stefany Vilar, avalia que “ainda há dificuldade para as mulheres se reconhecerem como vítimas de violência política de gênero”. Para enfrentar o tema, ela considera fundamental a conscientização e a difusão de informações.
 

Presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-DF, Stefany Vilar (Foto: Felipe Ando/ Agência CLDF)

Stefany também destacou que, mesmo após conseguirem chegar em espaços de poder, “mulheres desistem porque adoecem, por não terem espaço de acolhimento, de escuta, e efetiva fiscalização da violência política de gênero”. A advogada disse que a OAB está empenhada nessa causa e pretende contribuir para a fiscalização no período eleitoral. “Nós não aceitaremos candidaturas falsas de mulheres”, afirmou. “Não existe democracia sem a participação efetiva das mulheres”, definiu a advogada.

Ao sessão solene completa está disponível no YouTube da TV Câmara Distrital.



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