Por iniciativa do deputado Ricardo Quirino (Republicanos), a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) promoveu audiência pública sobre o fim da escala 6×1 e a situação do trabalhador sênior na manhã desta quarta-feira, 10. O encontro foi realizado na Sala de Comissões Júlio da Retífica da Casa.
Além do parlamentar, compuseram a mesa a neurologista especialista em Medicina do Sono, Cuidados Paliativos e Geriatria, Joseany Cardoso; a presidente do Conselho Temático de Relações do Trabalho e Inclusão da Federação das Indústrias do Estado de Goiás, Lorena Blanco; a assessora especial de Proteção à Pessoa Idosa da Secretaria de Políticas para as Mulheres de Goiânia, Michele de Sousa; e o presidente da Câmara Municipal de Água Limpa, vereador Alex Paiva (União).
Também estiveram presentes os vereadores do município de Marzagão Fernando de Sousa (Podemos), Lindomar Tetê (Podemos), Adrimar Lima (PSD) e Luiz Paulo (Podemos).
Quirino destacou que o tema ainda está em discussão no Congresso Nacional e pode gerar impactos significativos para trabalhadores e setor produtivo. Ele relatou que acompanhou as discussões no Congresso e observou aumento na busca por automação nas empresas no dia seguinte. Para o deputado, a audiência foi necessária porque o debate afeta diretamente trabalhadores, empresários e toda a sociedade.
O legislador lembrou que a proposta avançou e segue no Senado Federal. Ele citou que a imprensa aponta grupo crescente de senadores defendendo proposta alternativa mais flexível, o que mostra que o debate ainda está longe de ser concluído.
Mais debates
A assessora especial Michele de Sousa defendeu ampliar o debate sobre as condições de trabalho das pessoas idosas. Ela afirmou que a sociedade não se prepara para envelhecer nem para a aposentadoria e alertou que muitos idosos seguem precisando de renda para complementar o orçamento e comprar medicamentos. “Estamos falando de seres humanos”, destacou.
Sobre o setor produtivo, Lorena Blanco defendeu que mudanças nas jornadas devem considerar as particularidades de cada categoria e ser discutidas por negociação coletiva. Ela citou dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicando que mais de 90% das indústrias brasileiras são pequenas e médias, e que a redução de jornada nos moldes discutidos poderia elevar cerca de 7% os custos da folha. Diante disso, o empregador teria alternativas como absorver custos, contratar mais, pagar horas extras ou repassar preços.
A neurologista Joseany Cardoso abordou os impactos das jornadas prolongadas na saúde física, mental e social, especialmente da população idosa. Ela explicou que as consequências atingem também a família e a rede de convivência. A médica citou estudos que associam jornadas longas a maior mortalidade cardiovascular, risco de acidente vascular cerebral (AVC), transtornos mentais, acidentes de trabalho, piora do sono e redução da satisfação com a vida. Joseany defendeu medidas como programas de envelhecimento saudável, ergonomia, ginástica laboral e ações de promoção à saúde.
Por fim, o vereador Alex Paiva parabenizou a iniciativa da audiência. Ele concordou que a discussão deve acontecer em todos os estados e afirmou que o papel de agentes públicos é levar informações qualificadas, promover o debate e contribuir para consensos que atendam aos interesses da sociedade.


