Uns amam, outros odeiam, mas não há de se negar que, por mais que o pequi seja um fruto divisor de opiniões, é, mais do que qualquer coisa, um símbolo de goianidade, tradição, comida e afeto. Do alto dos 12 metros do pequizeiro, o pequeno fruto de casca verde tem o tamanho aproximado de uma maçã. Na parte interior, existe um caroço revestido por uma polpa comestível macia e amarela. Embaixo da polpa há uma camada de espinhos muito finos e por baixo dos espinhos há uma amêndoa.
Para muitos goianos o pequi tem cheiro de casa de vó, de quintal com galinhas correndo e domingos preguiçosos. Comida goiana, com G maiúsculo, motivo de orgulho e identidade. De todos os frutos nativos do Cerrado, o pequi é o mais consumido e comercializado e também o melhor estudado nos aspectos nutricional, ecológico e econômico.
Principalmente em Goiás e no norte de Minas, mas também em outras regiões do Cerrado, o pequi é de grande importância para as populações agroextrativistas e para as economias locais. Alguns “catadores” e comerciantes de pequi chegam a obter até 80% de sua renda anual na cadeia produtiva do fruto.
O pequi é um fruto muito versátil, utilizado na culinária regional como tempero, em conserva e como matéria-prima. Sua polpa tem o dobro de vitamina C de uma laranja e é rico também em vitaminas A, E e em carotenóides. Tais fatores tornam o fruto um aliado no combate ao envelhecimento e na prevenção às doenças associadas à visão. Além disso, sua amêndoa é utilizada na fabricação de um rico óleo que possui ação anti-inflamatória, cicatrizante e gastroprotetora.
Orgulho dos goianos
Foi levando tudo isso em conta que, em agosto de 2023, o deputado Gugu Nader (PSDB) apresentou o projeto, agora lei, que cria em Goiás o Dia Estadual do Pequi. Sancionado em outubro pelo então governador Ronaldo Caiado (PSD), a Lei Estadual nº 22.229, originalmente projeto de lei nº 1511/23, estabeleceu a comemoração no dia 23 de outubro, passando a constar no Calendário Cívico, Cultural e Turístico goiano.
A época, Nader afirmou que o pequi é considerado a “estrela da culinária de Goiás”. O Dia Estadual do Pequi é uma celebração anual que visa conscientizar a população sobre a relevância desse fruto único, promovendo seu reconhecimento e valorização em todo o Estado.
Em outubro deste ano, o Poder Legislativo goiano acolheu, em segunda e definitiva votação, a concessão do título simbólico de Capital Goiana do Pequi ao município de Crixás, no norte do Estado. O projeto de lei é de autoria do deputado Wagner Camargo Neto (SD) e foi protocolado sob o nº 2445/26.
Na justificativa da matéria, o autor destacou que o município de Crixás possui fortes tradições ligadas ao Cerrado goiano, especialmente no que se refere à valorização do pequi. O deputado ressaltou também a importância da produção, comercialização e aproveitamento da iguaria para a economia local, o que contribui para a renda de produtores, extrativistas e comerciantes.
Desse modo, ele apontou que o título em questão visa a reconhecer oficialmente a vocação produtiva e gastronômica do local, além de “incentivar o desenvolvimento econômico, o fortalecimento do turismo e a valorização das atividades ligadas ao fruto na região”.
O fruto
São várias as denominações: pequi (Caryocar brasiliense), piqui, pequiá, piquiá, piquiá-bravo, amêndoa-de-espinho, grão-de-cavalo, pequiá-pedra, pequerim e suari, entre outras. A árvore é o pequizeiro, da família das cariocaráceas, nativa do Cerrado brasileiro.
Trata-se de uma árvore grossa, com folhas trifoliadas e tomentosas; suas flores são grandes e com estames compridos. Sua frutificação ocorre no período chuvoso entre os meses de outubro e fevereiro e sua madeira é amarela.
As flores do pequizeiro são hermafroditas e sua ocorrência natural ocorre na Bolívia, no Paraguai e no Brasil, especialmente nas regiões da Bahia, Distrito Federal, Tocantins, Maranhão, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rondônia e São Paulo. Essa espécie prevalece nos biomas da Mata Atlântica, do Cerrado e do Pantanal. Infelizmente, atualmente o pequizeiro está ameaçado de extinção devido a destruição do Cerrado para o plantio de soja e formação de pastagens.
O pequi é uma fruta rica em óleo e que possui componentes de alto valor nutricional, como ácidos graxos insaturados (ômega-3 e ômega-6), antioxidantes (carotenoides e compostos fenólicos), vitaminas, e taninos, um grupo de metabólitos encontrados nas folhas. Devido ao consumo e uso cada vez maior do pequi e a necessidade de uma produção de maior qualidade para atender esta demanda, diversas instituições no Brasil estão estudando melhoramentos genéticos no pequi para que passe de uma atividade, em sua grande maioria, extrativista para uma produção profissional e de alto rendimento.


