O secretário de Estado da Saúde, Rasível dos Reis Santos Júnior, apresentou os principais indicadores da saúde pública de Goiás durante audiência públcia promovida pela Comissão de Tributação, Finanças e Orçamento da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego). A prestação de contas acontece nesta quarta-feira, 4, na Sala das Comissões Júlio da Retífica, sob a condução do presidente do colegiado, deputado Thiago Albernaz (MDB).
Ao iniciar sua exposição, o secretário cumprimentou os parlamentares presentes e agradeceu a oportunidade de apresentar os resultados da pasta. Rasível informou que os relatórios detalhados de prestação de contas referem-se ao primeiro e ao segundo quadrimestres de 2026, encaminhados em 30 de maio e 30 de setembro, respectivamente.
Entre os principais pontos destacados, o avanço da regionalização dos serviços de saúde. Segundo o secretário, 80,86% dos pacientes que necessitam de internações de urgência já são atendidos dentro de suas próprias macrorregiões, resultado que supera a meta intermediária de 70% apresentada.
Rasível explicou que a descentralização busca conciliar facilidade de acesso, qualidade e eficiência dos serviços, preservando a concentração de procedimentos de alta complexidade em unidades especializadas. “O sistema regionalizado deve exatamente trazer essa combinação dos fatores, onde eu consigo colocar o paciente certo no lugar certo, no tempo certo”, afirmou o secretário.
Na área de cirurgias eletivas, o gestor destacou o planejamento para ampliar a oferta de procedimentos e reduzir o tempo de espera. A estratégia envolve a definição de hospitais especializados em determinadas intervenções e a separação dos fluxos de atendimentos eletivos e de urgência, a fim de evitar a disputa por recursos e estruturas hospitalares.
Rasível também abordou o enfrentamento da superlotação hospitalar, especialmente a permanência de pacientes nos corredores das unidades. Segundo ele, a Secretaria mantém acompanhamento direto das condições de atendimento. “Hoje, três hospitais receberam a minha ligação, os diretores receberam a minha ligação por ter paciente no corredor”, relatou, ao enfatizar a necessidade de garantir assistência em ambientes adequados.
Indicadores de saúde
Entre os indicadores apresentados, o secretário destacou a redução da taxa de mortalidade prematura associada às quatro principais doenças crônicas não transmissíveis: doenças cardiovasculares, câncer, doenças respiratórias crônicas e diabetes. O índice de mortalidade atual, calculado a cada 100 mil habitantes, é de 168, diante de uma referência de 270 mencionada na exposição. Ele atribuiu o resultado ao acompanhamento e ao manejo das condições crônicas, que contribuem para diminuir internações e óbitos.
A mortalidade materna, por outro lado, foi apontada como um dos principais desafios da gestão. Rasível alertou para os riscos relacionados à realização de partos em estabelecimentos sem estrutura adequada, às elevadas taxas de cesarianas e às deficiências no acompanhamento pré-natal. “A maior causa da mortalidade materna, senhores deputados, é sangramento, e 95% dos óbitos maternos são considerados evitáveis”, afirmou.
O secretário defendeu maior participação dos municípios no cadastramento e monitoramento das gestantes e destacou que a melhoria dos indicadores depende não apenas da quantidade de consultas, mas também da qualidade da assistência prestada.
“A gente tem tratado cada óbito materno como um evento catastrófico, porque é assim que funciona na família. Uma família que perde uma mãe perde o chão”, argumenta Rasível dos Reis.
Em relação à mortalidade infantil, o secretário apresentou índice de 7,4 óbitos, diante de uma estimativa de 12 óbitos a cada 1.000 nascidos vivos, e destacou a intenção de manter o indicador abaixo de dez. Ele observou que os avanços nessa área também dependem de políticas públicas relacionadas ao saneamento básico e à educação.
O titular da SES mencionou, ainda, a ampliação da cobertura da Rede de Atenção Psicossocial, cujo indicador alcançou 0,97, superando a referência de 0,7. Segundo ele, o fortalecimento dessa estrutura é fundamental diante do crescimento dos problemas relacionados à saúde mental.
Na vigilância em saúde, Rasível informou que as ações de controle sanitário de produtos, serviços e ambientes ultrapassaram 13 mil, superando a previsão de 9 mil para o período. Também apresentou resultados relacionados ao enfrentamento da doença de Chagas, à qualificação de serviços voltados a populações específicas e às auditorias do Sistema Único de Saúde (SUS), que somaram 46 procedimentos realizados e outros sete em execução entre janeiro e agosto.
Execução orçamentária
Na apresentação dos dados financeiros, o secretário informou que 63% da distribuição orçamentária por subfunção está concentrada na assistência hospitalar e ambulatorial. As demais parcelas destacadas foram de 25,3% para outras despesas, incluindo pessoal e administração; 7,5% para suporte profilático e terapêutico, especialmente medicamentos; 3,2% para atenção básica; e 0,6% para vigilância epidemiológica.
Quanto às despesas computáveis em ações e serviços públicos de saúde, Rasível apresentou R$ 4,29 bilhões empenhados, com R$ 2,8 bilhões liquidados e R$ 2,55 já bilhões pagos no período em análise.
Ao concluir a exposição, o secretário também mencionou iniciativas de inovação, saúde digital, utilização de inteligência artificial, fortalecimento da estrutura hospitalar no interior e integração dos serviços por meio de ferramentas de monitoramento, como o Command Center.
Rasível encerrou sua prestação de contas inicial agradecendo aos parlamentares e se colocando juntamente com a equipe da Secretaria de Saúde à disposição para prestar esclarecimentos e responder aos questionamentos apresentados durante a audiência pública.


