Filiação de Paula Belmonte ao PSDB vira palco para Arruda exibir articulação e reforçar recado ao governo do DF
O ex-governador do Distrito Federal e pré-candidato ao Palácio do Buriti, José Roberto Arruda, fez da última quarta-feira (3) mais do que um simples ato de filiação partidária. O que deveria ser uma cerimônia protocolar virou palco para uma série de mensagens — claras e calculadas — ao atual comando do DF.
Durante a entrada oficial da deputada distrital Paula Belmonte no PSDB, Arruda voltou a martelar seu novo lema: a criação de uma “frente por Brasília”, formada, segundo ele, por lideranças “preparadas e qualificadas”.
O evento, realizado no Ginásio da Ascade, reuniu nomes de peso do tucanato, como o presidente nacional da sigla, Aécio Neves, e o ex-governador de Goiás Marconi Perillo, articuladores diretos da chegada de Belmonte ao partido.
Oficialmente, a noite era dedicada à nova filiada; na prática, virou vitrine para Arruda exibir musculatura política, atrair apoios e reforçar que sua atuação no jogo de 2026 será protagonista.
Nos bastidores, porém, o assunto dominante era outro — e já conhecido por quem acompanha a política local: a preparação de Arruda para migrar rumo ao PSD, partido comandado nacionalmente por Gilberto Kassab, legenda pela qual ele pretende disputar novamente o governo.
A movimentação tem incomodado setores governistas, que observam com crescente apreensão o fortalecimento de um bloco oposicionista que avança mais rápido do que o Buriti consegue reagir.
Se no discurso Arruda falou em união, na prática mostrou que está montando um cinturão político para 2026. Cada filiação, cada gesto e cada aparição pública são peças estratégicas no tabuleiro. E, pelo ritmo das movimentações, o ex-governador tem avançado com mais precisão do que muitos imaginavam.


