Segundo documentos e relatos de investigação, o governador e a vice do DF sabiam do desenho societário proposto por Vorcaro, enquanto Ciro Nogueira atuou como articulador político entre o Master e o BRB
Estrutura acionária proposta para o banco público do DF, com aval político, virou alvo de investigação do BC, da PF e do MP.
O projeto de aquisição do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB) incluiu uma proposta que causou espanto em técnicos do Banco Central: Daniel Vorcaro, controlador do Master, ficaria com 36% das ações do próprio BRB e ganharia um assento em seu conselho, além de presidir uma nova estrutura chamada “BRB Participações”.
O plano, que previa a criação de um braço voltado a investimentos em empresas privadas, teria sido desenhado com conhecimento do governador do DF, Ibaneis Rocha, e da vice, Celina Leão, com articulação política do senador Ciro Nogueira. Mesmo já fragilizado financeiramente, o Master poderia, no futuro, vir a controlar o próprio BRB.
Dentro do Banco Central, o caso expôs disputas internas. Enquanto a Diretoria de Fiscalização foi criticada por leniência, a área de Organização do Sistema Financeiro, liderada por Renato Gomes, passou a pressionar por apurações mais rigorosas.
Com a chegada de Gabriel Galípolo à presidência da instituição, as suspeitas ganharam força e levaram à entrada da Polícia Federal e do Ministério Público Federal no caso, culminando na decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master e na intensificação das investigações sobre operações consideradas irregulares e atípicas.
Paralelamente, vieram à tona indícios de que Vorcaro encomendou dossiês contra executivos e conselheiros de bancos concorrentes, especialmente Itaú e BTG, como forma de pressionar críticos e fortalecer sua posição em negociações para salvar o Master.
Parte desse material pode ter sido apreendida nas operações recentes da PF, agravando a situação do ex-banqueiro e ampliando o cerco em torno de sua atuação e de suas conexões políticas e empresariais.


