No xadrez da política do Distrito Federal, cada movimento é calculado, e a filiação de José Roberto Arruda ao PSD representou uma jogada de alto impacto no centro do tabuleiro. O ato, que reuniu cerca de cinco mil pessoas no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, não foi apenas simbólico: foi um avanço de peça pesada, daqueles que obrigam o adversário a rever a estratégia mesmo tendo a máquina pública a seu favor.
Enquanto o atual governo do DF joga protegido pelas torres do orçamento, dos cargos e da estrutura administrativa, Arruda entrou em campo sem essas peças institucionais, mas avançou com força por meio da mobilização popular. No xadrez político, foi um movimento de meio-jogo que reposicionou o ex-governador como peça central na disputa pelo Palácio do Buriti em 2026.
No tabuleiro montado no evento, Arruda ocupou a casa central. Ao seu redor, alinharam-se peças de diferentes cores partidárias: o senador Izalci Lucas, os deputados federais Alberto Fraga (PL-DF), Laura Carneiro (PSD-RJ) e Tibé (Avante-MG), além da senadora Eliziani Gama (PSD-MA). Somaram-se ainda o senador Sérgio Petecão (AC), líder do PSD no Senado, e o deputado Antônio Brito (BA), líder da legenda na Câmara, configurando uma clara estratégia de proteção e ataque simultâneo.
A entrada do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, funcionou como o movimento decisivo da rodada. Ao oficializar a filiação e declarar apoio à pré-candidatura de Arruda, Kassab deslocou o PSD para uma posição de protagonismo no tabuleiro do DF, reforçando o ex-governador como rei protegido por uma base nacional sólida.
Na base do jogo, a militância atuou como os peões que avançam juntos e abrem caminho. Para Carlos Henrique Silva, militante do PSD em Taguatinga, a jogada foi clara. “Eles têm a máquina, mas nós temos o povo. No xadrez, quem domina o centro controla a partida, e foi isso que aconteceu aqui”, afirmou.
O ex-senador Gim Argello, presidente do Avante no DF, e os pré-candidatos a deputado distrital e federal do chamado “time verde” ampliaram o leque de peças em jogo, indicando que a estratégia de Arruda não é de confronto isolado, mas de construção de um bloco capaz de pressionar em várias frentes ao mesmo tempo.
Entre os militantes, o sentimento era de vantagem estratégica. Ana Paula Rodrigues, militante do PSD no Gama, avaliou o cenário como um xeque claro ao governo. “Quem está no poder se acostumou a jogar só com a máquina. Quando aparece alguém que movimenta gente de verdade, o jogo muda”, disse.
No fechamento da rodada, Rogério Martins, militante do PSD no Plano Piloto, resumiu o momento político. “No tabuleiro de Brasília, essa filiação foi um xeque. Ainda não é xeque-mate, mas obrigou o governo a se mexer”, avaliou.
Para observadores experientes do cenário político, a jogada de Arruda expôs um ponto sensível do adversário: a dependência quase exclusiva da máquina pública para manter posição. Ao avançar sem essa proteção e ainda assim reunir força, Arruda mudou o equilíbrio do jogo. No xadrez da política do DF, a partida está longe do fim, mas o centro do tabuleiro já tem novo dono.


