quarta-feira, março 18, 2026
22.5 C
Brasília

InícioOPINIÃOComo Ibaneis pode "subir nas costas" dos aliados para se eleger

Como Ibaneis pode “subir nas costas” dos aliados para se eleger

Date:

A poucos meses do período oficial de pré-campanha para as eleições de 2026, o MDB no Distrito Federal vive um momento de tensões internas que podem redefinir o tabuleiro político local. No centro das discussões está o governador Ibaneis Rocha (MDB), que, segundo fontes e análises políticas, estaria articulando uma nominata robusta para deputado federal pelo partido – mesmo enquanto reafirma publicamente sua pré-candidatura ao Senado.

Uma recente publicação de análise política, assinada pela jornalista e analista Renata Schuster Poli, descreve o que chama de “oito degraus”: um grupo de aliados que, na visão crítica, serviriam para somar votos, inflar o quociente eleitoral e pavimentar o caminho para a eleição de Ibaneis na proporcional. Após o pleito, o futuro desses nomes seria incerto, com prioridade dada à sobrevivência individual do governador no poder.

A lógica eleitoral reforça o argumento: o Distrito Federal tem apenas oito vagas na Câmara dos Deputados, em um cenário fragmentado com PSD, Republicanos, PL, PSB, PT, PSOL e Solidariedade na disputa. A concentração de esforços e recursos em um nome principal poderia deixar os demais candidatos dependendo das “sobras” de votos – uma dinâmica comum, mas que gera atritos quando há figuras com peso próprio.

Rafael Prudente, o ponto sensível

Um dos nomes que mais tensionam essa equação é o deputado federal Rafael Prudente (MDB-DF). Com densidade eleitoral consolidada e apoio em setores do partido, Prudente não se vê como coadjuvante. Fontes internas indicam que, se permanecer na proporcional, ele pode se beneficiar dos votos puxados por Ibaneis e conquistar a reeleição. Porém, uma saída para a majoritária – especialmente ao Governo do DF – complicaria o desenho estratégico do governador.

A executiva nacional do MDB já sinalizou informalmente apoio a Prudente como possível “plano B” para o Palácio do Buriti, caso a vice-governadora Celina Leão (PP), aliada próxima de Ibaneis, enfrente dificuldades. Isso reacende memórias de episódios passados, como o de 2006 após Joaquim Roriz, quando o partido abriu mão de protagonismo em favor de interesses pontuais – com custos internos altos.

Articulações alternativas e desgaste acumulado

Paralelamente, cresce nos bastidores a aproximação de setores do MDB com o grupo do ex-governador José Roberto Arruda, hoje no PSD. Arruda desponta em vários cenários como nome competitivo para o Governo do DF e mantém laços históricos com bases emedebistas, o que amplia seu poder de atração e pode gerar rupturas.

O núcleo de Ibaneis e Celina enfrenta, ao mesmo tempo, desgaste crescente. Denúncias e questionamentos envolvendo operações com o Banco Master e o BRB, além de críticas ao IPREV (previdência dos servidores) e ao INAS (saúde), somam-se a problemas crônicos em saúde e educação. Esse acúmulo pressiona a imagem do governo e alimenta desconfianças internas.

Para aliados de Prudente, aceitar um papel secundário – como suplente ou mero somador de votos em uma chapa centrada em Ibaneis – está fora de cogitação. Há sinais claros de disposição para confronto, o que pode transformar a nominata em um campo de batalha interno.

O que dizem as partes?

Ibaneis tem reafirmado nos últimos meses sua intenção de disputar o Senado, deixando o cargo em abril de 2026 para Celina Leão assumir interinamente. Aliados negam publicamente planos alternativos para a Câmara, mas interlocutores admitem que, diante de isolamentos (como perda de apoio bolsonarista e impactos do caso Master-BRB), uma candidatura proporcional surge como “porto seguro” para garantir mandato e foro privilegiado.

O MDB local, historicamente pragmático, enfrenta o dilema de equilibrar continuidade no poder com renovação de lideranças. Se os “degraus” se recusarem a ser apenas instrumentos, a estratégia pode ruir – e abrir espaço para rearranjos maiores no centro-direita brasiliense.

A disputa de 2026 no DF promete não ser apenas eleitoral, mas também uma guerra de bastidores pelo controle do partido e das narrativas de poder. O desenrolar das articulações internas será decisivo para definir quem realmente sobe – e quem fica nos degraus inferiores.

Latest stories

spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui