A aparição de aliados chave com José Roberto Arruda e o silêncio sobre punições reacendem dúvidas sobre a coesão do governo local a menos de oito meses das eleições
Nos últimos dias, o Palácio do Buriti parece assistir a um movimento sutil, mas insistente, de rachaduras em sua base aliada. O deputado distrital Joaquim Roriz Neto (PL), tradicionalmente alinhado ao governador Ibaneis Rocha (MDB) e à vice Celina Leão (PP), foi flagrado ao lado do ex-governador José Roberto Arruda durante o evento “Record nas Cidades”.
A cena, simbólica, ganhou ainda mais peso após relatos de que o PL flerta com uma estratégia própria, apoiando Michelle Bolsonaro e Bia Kicis em chapa pura ao Senado — um recado que, nos bastidores, soa como enfraquecimento da articulação construída pelo atual Executivo.
Gilvan Máximo, secretário do Consumidor e figura ligada ao entorno de Ibaneis Rocha, também apareceu publicamente com Arruda em Santa Maria. O gesto levanta uma pergunta incômoda: o critério de exoneração rápida, aplicado em casos recentes (como na Cultura e em assessoria ligada à CLDF), será o mesmo agora?
Matérias recentes destacam que, em episódios passados, o governador agiu com agilidade e tom duro. Se a resposta for diferente desta vez, o episódio pode alimentar debates sobre seletividade política — e até sobre gênero, já que punições anteriores envolveram mulheres.
Outros nomes já deram sinais de distanciamento: Rogério Morro da Cruz (PRD) e Manzoni (PL) teriam deixado a base, enquanto a polêmica da venda de imóveis públicos para socorrer o BRB aumenta a pressão interna. Aliados reconhecem, em off, que a coesão de outrora não existe mais. A decisão do PL de priorizar Michelle e Bia para o Senado, interpretada como isolamento de Ibaneis, soma-se a isso e sugere que partidos grandes estão redesenhando alianças para 2026.
Não se trata de colapso iminente — Ibaneis e Celina ainda contam com estrutura robusta e encontros recentes com a base mostram tentativas de recomposição. Mas os gestos com Arruda, pré-candidato que busca atrair insatisfeitos, indicam que o tabuleiro está mais fluido do que parece. Se mais desembarques ocorrerem, a dupla pode enfrentar um cenário de isolamento que, hipoteticamente, beneficiaria outsiders como Arruda ou até reforce disputas internas na direita.
No fim das contas, o que se vê é clássico da política brasiliense: alianças se desfazem quando o poder muda de mãos ou quando novas lideranças surgem. Resta saber se o Buriti conseguirá conter a sangria ou se 2026 trará uma reconfiguração mais profunda do que o esperado.


