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Entre o desespero e a desinformação: a política dos blogs pagos sem alcance e das pesquisas manipuladas

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Há algo de profundamente revelador no atual ruído político que ecoa nas redes: o desespero travestido de estratégia

Quando faltam apoio popular e alcance orgânico, sobra criatividade — nem sempre das mais éticas. É nesse terreno pantanoso que prosperam a desinformação, as pesquisas manipuladas e os blogs pagos, todos funcionando como muletas para projetos políticos que não conseguem se sustentar de pé diante da opinião pública.

O roteiro é conhecido. Primeiro, cria-se a sensação artificial de força: números que impressionam, mas não convencem; pesquisas que aparecem do nada e somem com a mesma rapidez; análises supostamente “técnicas” publicadas em blogs que ninguém lê, mas que alguém paga para existir.

Depois, tenta-se empurrar a narrativa goela abaixo, repetindo-a à exaustão, como se volume pudesse substituir credibilidade.

O famoso “Bonecão do Arruda” virou símbolo espontâneo: grande no tamanho, chamativo na forma, de conteúdo real, que traduz apoio popular genuíno, produzido por um cidadão comum que manifestou sua paixão política por um legado histórico. De repente, foi atacado por um gesto de inveja que retardou sua manifestação pública por um tempo, é claro!

Nesse cenário, figuras acabam orbitando um espetáculo que mais parece um teatro de sombras. A candidata do Buriti, por sua vez, é constantemente inserida nesse jogo de narrativas forçadas, como se a repetição de seu nome em ambientes controlados pudesse, por mágica, se converter em aceitação ampla.

Mas política não se constrói apenas com impulsionamento pago e manchetes encomendadas. Apoio popular não nasce em planilhas nem em contratos publicitários; nasce na rua, no diálogo e na confiançaAssim, também, vaias são espontâneas.

O problema maior não é apenas a tentativa de manipular a percepção pública, mas o efeito colateral disso tudo: a corrosão do debate democrático.

Quando a desinformação vira método e o alcance artificial vira métrica, quem perde é o eleitor, soterrado por ruído e enganado por encenações.

No fim das contas, o desespero deixa rastros. E eles aparecem justamente na pressa em parecer forte quando, na prática, é fraca e falta sustentação.

A política do Distrito Federal já viu esse filme antes. E o público, cada vez mais atento, começa a perceber que, mesmo abatendo um boneco grande, não conseguirá atingir o protagonista.

Helio Rosa é jornalista,. pós-graduado em Administração Pública e Gerência de Cidades | Foto: Wikimidia

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