O governador Ibaneis Rocha (MDB) determinou a exoneração de Patrícia Emerenciano, servidora com desempenho considerado exemplar e que ocupava o cargo de secretária-adjunta da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Governo do Distrito Federal.
Patrícia é esposa de um dos advogados de José Roberto Arruda, pré-candidato ao Palácio do Buriti, o que reacendeu a tensão política entre os grupos.
Além da exoneração, fontes do próprio governo afirmam que Ibaneis tem adotado uma postura cada vez mais rígida com servidores comissionados — e até mesmo concursados — para garantir alinhamento político dentro da administração.
A orientação interna seria deixar claro que qualquer movimento ou simpatia em direção a Arruda terá consequências administrativas. O objetivo, segundo aliados, é forçar que servidores e suas redes de influência cedam à pressão do Palácio do Buriti.
A ofensiva não para nos quadros internos do governo. A interlocutores, Ibaneis e a vice-governadora Celina Leão (PP) apostam que o corte de contratos e publicidades de veículos de comunicação associados — direta ou indiretamente — ao campo de Arruda pode servir como “lição política” e enfraquecer o potencial do adversário. A estratégia busca deslocar novamente esses grupos para a base governista.
O movimento, porém, pode ter efeito contrário. Assim como ocorreu em 2006, quando medidas semelhantes de retaliação adotadas pela então governadora Maria de Lourdes Abadia não impediram o crescimento de Arruda, há quem avalie que o cenário pode se repetir. Naquele ano, Arruda acabou vencendo no primeiro turno — e analistas políticos já vêm traçando paralelos entre os dois momentos.
Pré-candidato ao Senado, Ibaneis também corre o risco de corroer seu próprio capital eleitoral ao atingir servidores e lideranças locais que tradicionalmente migram votos entre chapas majoritárias.
O clima de cerco interno pode fragilizar ainda mais a construção política de Celina Leão rumo à disputa pelo Buriti em 2026.


