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Já ouviu falar no “Alagar-DF”

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Não foi surpresa. Não foi “chuva atípica”. Não foi fenômeno imprevisível. Foi previsível — e aconteceu exatamente como muitos alertaram que aconteceria.

O governo Ibaneis se vangloria há anos do programa “Drenar-DF”, vendido como solução definitiva para os alagamentos históricos do Distrito Federal. Milhões foram anunciados. Obras foram inauguradas. Placas foram fincadas. Vídeos institucionais foram produzidos.

Mas bastaram alguns dias de chuva mais intensa para que as redes sociais fossem inundadas antes mesmo das ruas. Águas Claras, Asa Norte, Vicente Pires, Ceilândia, Taguatinga. Carros submersos. Comércio fechado. Moradores ilhados. A pergunta que ecoa é simples: onde foi parar o dinheiro?

Não se trata de demonizar obra pública. Trata-se de resultado. Programa que funciona não vira meme. Política pública eficiente não é rebatizada pela própria população. E quando o “Drenar-DF” passa a ser chamado de “Alagar-DF”, não é a oposição que está falando — é a rua.

Há outra camada ainda mais desconfortável: as intervenções mais robustas se concentraram justamente nas áreas mais valorizadas e menos vulneráveis da capital. Enquanto isso, regiões administrativas historicamente castigadas seguem enfrentando enxurradas que invadem casas e destroem o pouco de quem já tem pouco.

Isso não é apenas falha técnica. É escolha política.

O inferno astral do governador parece não ter fim. Do céu vem a chuva que escancara a ineficiência acumulada em sete anos de gestão. Na terra, o rombo bilionário envolvendo o BRB continua crescendo, com investigações da Polícia Federal em curso. De um lado, a água escorre pelas ruas. De outro, bilhões escorrem pelo ralo de decisões temerárias.

Em ano pré-eleitoral, nada é mais corrosivo do que a sensação de abandono. O eleitor pode até tolerar discurso. Pode até aceitar narrativa. Mas não aceita água dentro de casa.

Obras que não resolvem, banco público sob investigação, promessas que não se sustentam sob teste da realidade. Não é a oposição que constrói essa imagem — é a sequência de fatos.

E campanhas baseadas em viadutos que ligam um engarrafamento ao outro não resolvem enchente. Marketing não drena água. Slogan não substitui planejamento urbano sério.

Talvez juridicamente nada aconteça no caso do banco. Talvez tecnicamente os relatórios do “Drenar-DF” estejam cheios de justificativas. Mas politicamente o impacto é outro.

Porque quando chove, a cidade revela a verdade.

E a urna, como a água, sempre encontra seu caminho.

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