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O constrangimento virou trampolim: como Celina Leão fortaleceu Bia Kicis que pode arranhar Ibaneis

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Na política, a vaidade é uma força tão poderosa quanto o cálculo eleitoral. Às vezes, basta uma frase atravessada para virar o jogo — e foi exatamente isso que aconteceu quando Celina Leão tentou “mostrar força” diante de Valdemar Costa Neto. O resultado? Deu palco e impulso à candidatura de Bia Kicis ao Senado.

O episódio ocorreu em setembro, na casa do governador Ibaneis Rocha, durante uma conversa sobre as articulações para 2026. Segundo apuração da época, Celina, ao receber o presidente do PL, tratou o encontro como mera formalidade, dizendo que “já tinha acertado tudo com Michelle [Bolsonaro]”.

Para quem conhece Valdemar, sabe que ele não é exatamente do tipo que aceita ser tratado como figurante. O cacique do PL saiu irritado — e, desde então, passou a defender com entusiasmo a candidatura de Bia Kicis. Foi o suficiente para mudar o eixo de poder dentro do partido em Brasília.

Nos bastidores, a leitura é clara: Celina tentou se apoiar na amizade com Michelle Bolsonaro, mas subestimou o peso político de Valdemar. O gesto, interpretado como arrogância, acabou sendo o estopim para uma reconfiguração no PL local. Hoje, o partido trabalha para isolar a vice-governadora e, inclusive, dificultar suas pretensões de disputar o Governo do Distrito Federal em 2026.

Enquanto isso, Bia Kicis ganha corpo. Com o aval direto de Valdemar e trânsito livre entre os filhos de Bolsonaro, ela se apresenta como o nome ideal do bolsonarismo raiz para o Senado. E mais: sua candidatura casa perfeitamente com o projeto político de Jair Bolsonaro de formar uma bancada combativa no Senado para enfrentar o STF — algo que Ibaneis Rocha, com seu perfil jurídico e institucional, dificilmente abraçaria.

Valdemar, pragmaticamente, também se aproxima de José Roberto Arruda, mirando uma reconfiguração de forças que devolva ao PL o protagonismo nas eleições do DF. A palavra final, como sempre, será de Bolsonaro — mas o movimento interno já está em curso.

No fim das contas, Celina pode ter cometido o erro clássico de quem confunde prestígio social com poder real. Ao tentar mostrar independência, acabou cutucando o líder errado. E o resultado é que Bia Kicis, antes vista como uma opção secundária, agora surge como a grande aposta da legenda para o Senado.

A política tem dessas ironias: um constrangimento de bastidor pode virar o ponto de virada de uma candidatura. E, no caso de Celina Leão, o tiro parece ter saído — e com força — pela culatra.

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