A expectativa por esclarecimentos adicionais do ex-presidente do BRB no caso Master-BRB paralisou articulações em Brasília, expõe fragilidades na direita e divide a esquerda no DF, enquanto o governador insiste em seguir na disputa.
A expectativa em torno do novo depoimento solicitado pelo ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, à Polícia Federal (PF) congelou temporariamente as movimentações políticas no Distrito Federal. Costa, afastado e demitido após a Operação Compliance Zero em novembro de 2025, pediu para ser ouvido novamente nas investigações do escândalo envolvendo operações bilionárias entre o BRB e o liquidado Banco Master. Segundo sua defesa, o objetivo é complementar informações já prestadas, esclarecer eventuais contradições e apresentar documentação adicional — sem, segundo eles, caracterizar delação premiada oficial.
O foco das atenções está no que Costa pode revelar sobre o papel do governador Ibaneis Rocha (MDB) nas tratativas. Em depoimentos anteriores (como o de 30 de dezembro de 2025), Costa afirmou à PF que falava “costumeiramente” com Ibaneis sobre as iniciativas do banco, incluindo a tentativa de aquisição do Master, pois o governo do DF é o acionista controlador. Ele descreveu “pontos de controle periódicos” em que reportava ao governador. Ibaneis, por sua vez, tem atribuído a condução da operação diretamente a Costa e negado envolvimento direto em negociações com o dono do Master, Daniel Vorcaro.
Se Costa aprofundar ou alterar detalhes sobre o conhecimento e aval de Ibaneis às operações — que geraram prejuízo estimado em bilhões ao BRB e indícios de fraudes investigados pela PF —, analistas políticos veem risco concreto de inviabilização da pré-candidatura do governador ao Senado. Ibaneis reafirmou publicamente sua disposição de concorrer, afirmando estar “muito tranquilo” e que tudo se trata de perseguição política, mas o timing do novo depoimento coincide com o período pré-eleitoral crítico.
Na direita, o PL já sinaliza abandono do aliado: o partido e aliados de Jair Bolsonaro decidiram lançar duas candidatas fortes ao Senado no DF — a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis. Essa dobradinha feminina, confirmada por lideranças como o senador Rogério Marinho, deixa Ibaneis isolado e sem apoio partidário amplo. Ninguém na centro-direita quer arriscar uma candidatura solitária em um cenário de alta rejeição potencial ligado ao escândalo.
Na esquerda, o quadro é de fragmentação. PT e PSB disputam espaço para uma candidatura competitiva ao Senado, com nomes como Erika Kokay (PT) e Ricardo Cappelli (PSB) em pauta. Pesquisas preliminares indicam empate técnico entre opções progressistas, o que pode levar a uma divisão de votos e beneficiar a direita — especialmente se Michelle Bolsonaro capitalizar o eleitorado bolsonarista fiel no DF.
Conjecturas baseadas em fontes jornalísticas (como relatos da CNN, Folha, Valor e Agência Brasil) sugerem que um depoimento mais incisivo de Costa poderia acelerar pedidos de impeachment ou CPI no Legislativo local, ampliando a crise para o governo distrital. Ibaneis precisaria deixar o cargo até abril para concorrer, abrindo espaço para a vice Celina Leão assumir e possivelmente disputar o governo.
O cenário eleitoral no DF segue indefinido e volátil. O que parecia uma disputa polarizada entre direita bolsonarista e centro-esquerda agora depende de uma oitiva que pode reescrever alianças e candidaturas. A paralisia atual reflete o quanto Brasília respira ao ritmo das investigações federais.
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