Secretário da Casa Civil e pré-candidato a vice-governador, Gustavo Rocha, participou de encontro institucional com a Justiça Eleitoral em meio à articulação para 2026
Prestes a disputar as eleições de 2026 como pré-candidato a vice-governador do Distrito Federal, o secretário da Casa Civil, Gustavo Rocha (Republicanos), participou de uma reunião de alinhamento com o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) sobre as eleições de 2026, realizada nesta quarta-feira (28), no Palácio do Buriti. O encontro reuniu integrantes do governo local e representantes da Justiça Eleitoral.
O episódio ocorre em um contexto politicamente sensível. Embora ainda ocupe cargo estratégico do Executivo local, Rocha já foi anunciado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) como o nome indicado para compor a chapa majoritária ao lado da vice-governadora Celina Leão (PP). A dupla condição — gestor público em posição central no governo e pré-candidato — impõe um dilema evidente: até que ponto é possível separar o exercício institucional da construção de um projeto eleitoral?
A participação do secretário em uma reunião com o órgão responsável por organizar, fiscalizar e garantir a lisura das eleições no DF lança luz sobre um potencial conflito de interesses. Ainda que o encontro possa ser enquadrado como parte das atribuições administrativas da Casa Civil, o momento político e a condição de pré-candidato tornam inevitável o questionamento sobre a adequação da agenda.
Nos últimos meses, Gustavo Rocha tem ampliado sua exposição pública, concedendo entrevistas à imprensa nas quais destaca realizações do governo e associa sua imagem diretamente à gestão Ibaneis. O movimento pode ser interpretado como uma antecipação da pré-campanha, com uso do capital político da administração para fortalecer sua projeção eleitoral.
Papel da Casa Civil
Cabe à Casa Civil, por definição, articular o relacionamento do Executivo com os demais Poderes no Distrito Federal. No entanto, quando o titular da pasta já está inserido no jogo eleitoral, reuniões institucionais com órgãos que devem atuar de forma independente e equidistante dos atores políticos passam a exigir cuidado redobrado, transparência e limites claros.
Em um ambiente democrático saudável, não basta que os ritos legais sejam cumpridos: é fundamental que a atuação do poder público também preserve a aparência de imparcialidade. A proximidade entre um pré-candidato e a Justiça Eleitoral, ainda que formalmente justificável, desafia esse princípio e reforça a necessidade de separar, com mais rigor, governo e campanha.


