O ambiente político do Distrito Federal ganhou contornos de perseguição após a série de episódios envolvendo o governador Ibaneis Rocha e o ex-governador José Roberto Arruda
A tensão cresceu depois que o advogado eleitoral Francisco Emerenciano defendeu publicamente a tese da elegibilidade de Arruda — um posicionamento jurídico legítimo, mas que teria provocado reação direta do Palácio do Buriti.
Pouco depois, a esposa do advogado, servidora comissionada do GDF, foi exonerada em edição extra do Diário Oficial. A coincidência temporal levantou suspeitas de retaliação política e de uso do cargo público como instrumento de intimidação a quem se posiciona fora do círculo de apoio ao governo.
A medida ganhou repercussão porque reforça uma prática que, segundo analistas políticos e observadores locais, vem se tornando recorrente na gestão de Ibaneis: o emprego da máquina pública para fins políticos.
A exoneração da servidora, sem justificativa técnica aparente, foi interpretada como um gesto simbólico de punição — uma mensagem a advogados, aliados e opositores sobre os riscos de contrariar o governador.
Ao mesmo tempo, veículos de comunicação alinhados à atual gestão, muitos deles sustentados por volumosas verbas de publicidade oficial, intensificaram ataques contra Arruda, reproduzindo críticas e narrativas desfavoráveis ao ex-governador em um movimento coordenado que ultrapassa o debate político legítimo.
Esses episódios sugerem uma preocupante instrumentalização do poder no Distrito Federal, onde a estrutura estatal e os recursos públicos parecem ser utilizados para proteger interesses pessoais e silenciar vozes divergentes.
O que deveria ser um espaço de diálogo democrático e confronto de ideias dá lugar a um cenário de medo e constrangimento político.



