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Veter Martins propõe regulamentar sepultamento de pets em jazigos familiares

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Tramita na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) um projeto de lei de autoria do deputado Veter Martins (UB) que autoriza o sepultamento de animais de estimação em jazigos, sepulturas, lóculos, gavetas e carneiros localizados em cemitérios públicos e privados de Goiás. A proposta, n° 2614/26, permite que o enterro ocorra em espaços cujas concessões pertençam às famílias dos tutores, desde que haja autorização expressa do responsável pelo jazigo, sejam observadas as normas sanitárias, ambientais e de saúde pública e que os jazigos tenham caráter perpétuo.

O texto define como animal de estimação aquele doméstico, com valor afetivo e apto a conviver com o ser humano, nos termos da legislação estadual vigente. As regras técnicas e operacionais para o sepultamento deverão ser regulamentadas pelo Poder Executivo, no âmbito de sua competência, além de obedecer às normas estabelecidas pelos serviços funerários e órgãos ambientais e sanitários de cada município, respeitando as diretrizes estaduais e federais.

De acordo com a proposta, todas as despesas decorrentes do sepultamento serão de inteira responsabilidade da família do tutor. Os cemitérios particulares poderão estabelecer regras próprias, inclusive quanto a valores e procedimentos operacionais, desde que respeitada a legislação em vigor.

O projeto também estabelece exigências para a realização do sepultamento. Será necessária a apresentação de declaração de óbito emitida por médico-veterinário regularmente inscrito no Conselho Regional de Medicina Veterinária de Goiás (CRMV-GO), com indicação da causa da morte, além de atestado de inexistência de risco sanitário. O corpo do animal deverá ser acondicionado em material neutro, impermeável e resistente, com utilização de caixão apropriado. A manutenção do espaço ficará sob responsabilidade do tutor, observadas as normas de saúde pública e ambientais.

Na justificativa, Martins argumenta que a proposta reconhece a transformação social e afetiva na relação entre humanos e animais de companhia. Segundo o parlamentar, os pets deixaram de ocupar papel meramente funcional para integrar o núcleo familiar, exercendo influência significativa no equilíbrio emocional de seus tutores. Ele sustenta que o luto pela perda de um animal pode ser intenso e legítimo, sendo necessária uma alternativa digna e acessível para a destinação do corpo.

O texto também aponta que a ausência de regulamentação específica contribui para o descarte irregular de animais mortos em terrenos baldios, áreas verdes e cursos d’água, prática que pode gerar riscos de contaminação do solo e do lençol freático, além da proliferação de doenças. Ao permitir o sepultamento em jazigos familiares, sob critérios técnicos e sanitários, a proposta busca oferecer destinação ambientalmente adequada e prevenir impactos negativos à saúde pública.

Sob o aspecto jurídico, a justificativa destaca que a iniciativa encontra respaldo na competência concorrente dos entes federativos para legislar sobre meio ambiente, proteção da fauna, saúde pública e direito urbanístico. Caso aprovada, a medida permitirá que famílias optem pelo sepultamento de seus animais de estimação junto aos jazigos familiares, sem custos para o poder público, desde que cumpridas todas as exigências legais e sanitárias. 

O texto, que teve tramitação iniciada na Alego, deverá passar pelos próximos dias pela Comissã de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), onde será distribuído para relatoria parlamentar. Caso tenha parecer favorável aprovado pelo colegiado, seguirá para duas fases de discussão e votação pelo Plenário.



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