Há mais de 3 mil anos antes de Cristo, o homem já buscava uma forma de registrar o que acontecia ao seu redor. Naquela época, a necessidade, porém, era outra. A preocupação era registrar informações para controle de estoque, práticas comerciais e cobrança de impostos.
Com o passar dos anos, o ser humano foi compreendendo, de maneira cada vez mais clara, a importância de documentar o que acontecia. Foi aí que surgiram as gravuras, as escrituras, os desenhos e as pinturas, até que se chegasse a algo tanto revolucionário quanto, à época, inimaginável: a possibilidade de se registrar visualmente um determinado instante.
O primeiro grande passo nessa direção veio em 1826, na França. O responsável pela primeira fotografia de que a humanidade tem conhecimento foi Joseph Nicéphore Niépce, que conseguiu, após uma sequência de estudos, testes e experimentos, registrar o que se enxergava pela janela de sua casa, na região da Borgonha.
A captura só se tornou possível por meio de um processo chamado heliografia, que demandava um longo período de exposição à luz. Para esse primeiro registro, foram necessárias cerca de oito horas de exposição. Eis que a imagem pôde ser fixada.
A possibilidade encantou os franceses, que passaram a investir em diferentes formas de aprimorar as técnicas até então conhecidas para garantir esse feito. Os estudos anteriores de Niépce sobre a fixação abriram caminho para uma verdadeira revolução visual. Isso transformou para sempre a maneira como a humanidade registrava o mundo.
Da França para o mundo
Pouco mais de dez anos se passaram até que o governo da França comprasse e anunciasse ao mundo a invenção do daguerreótipo, processo fotográfico prático desenvolvido a partir das pesquisas de Niépce e de seu sócio e parceiro de estudos, Louis Daguerre.
A tecnologia foi apresentada ao mundo em 19 de agosto de 1839, quando todos os detalhes do processo foram divulgados ao público, permitindo que a ideia se espalhasse rapidamente. Por essa razão, a data ficou estabelecida como o Dia Mundial da Fotografia.
Com o método conhecido nas diferentes partes do planeta, as técnicas foram se aperfeiçoando ao longo do tempo. A fotografia passou então a ocupar um lugar de muita importância na trajetória da humanidade, tornando possível, no presente, acessar visualmente algo que aconteceu no passado. Isso permitiu que os mais jovens não apenas conhecessem a história, mas, sobretudo, que a enxergassem.
Relação intrínseca com a imprensa
A partir daí, as fotografias passaram a ser estampadas em massa nas capas de jornais e se tornaram uma marca revolucionária da história da humanidade, especialmente por volta dos anos de 1890. Isso fez com que se tornassem, em parte, grandes responsáveis pela ampliação da força da imprensa nos anos seguintes.
Os espaços de decisão e poder também passaram a recorrer às lentes para registrar suas cerimônias, encontros entre personalidades e tantos outros movimentos que moldavam a história. No Brasil, a partir de 1960 os órgãos começaram a institucionalizar departamentos focados em relações públicas, bem como voltados à difusão de informações e à relação com a imprensa externa.
Com o avançar do acesso a essa tecnologia, a fotografia se tornou algo presente no dia a dia de quase todo e qualquer lugar da sociedade. A Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), por exemplo, incorporou ao seu quadro de servidores profissionais da área que exercem a função de registrar as solenidades e acontecimentos que marcam a rotina do Poder Legislativo goiano.
Vinculados à Agência Assembleia de Notícias Yocihar Maeda, atualmente, seis servidores exercem essa atividade em horários distintos, de maneira a garantir toda a cobertura fotográfica de tudo o que acontece na Casa e, muitas vezes, fora dela. Preenchem esse quadro: Carlos Costa, Denize Xavier, Hellenn Reis, Maykon Cardoso, Sérgio Rocha e Will Rosa.
“Além de alimentar a imprensa, fazendo com que os registros de tudo o que acontece na Alego cheguem aos quatro cantos do estado, sabemos que nosso trabalho poderá ser acessado daqui a 10, 20, 50, 100 anos. Ou seja, é um trabalho que envolve muita responsabilidade e aprimoramento constante, no sentido de prever o momento ideal para o clique perfeito. É a história sendo narrada por meio das nossas lentes”, considerou o repórter fotográfico Maykon Cardoso.
Para se ter uma noção da importância e do peso dessa função para os anais da Casa, o nome dado ao departamento homenageia justamente um dos grandes profissionais que exerceram essa função por mais de 30 anos na Alego. Yocihar Maeda foi repórter fotográfico da Casa e faleceu vítima de um câncer, em 2020.
Mais do que fotos de momentos únicos da história do Parlamento, ele deixou um legado de amor pelo trabalho e saudade entre os colegas. Por isso, tem seu nome eternizado também no primeiro concurso fotográfico lançado pelo Legislativo goiano naquele mesmo ano.



