A Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), através da Assessoria Adjunta de Atividades Culturais da Casa, inaugurou, na noite dessa terça-feira, 18, a exposição “Roblim 2026, O Colecionador de Tempos – Joias do Cerrado”, que apresenta a trajetória de 70 anos do artista plástico Ronaldo Barbosa de Lima, o Roblim. As obras ficarão expostas no saguão do Palácio Maguito Vilela, sede do Legislativo goiano, até o dia 28 de agosto.
Nascido em Boa Viagem, bairro famoso de Recife (PE), e radicado em Goiânia, Roblim tem sua produção marcada pela relação com as paisagens do Cerrado e pelas memórias do sertão. Aos 81 anos, o artista soma 70 anos dedicados às artes, com trabalhos em pintura, escultura, cerâmica, pedra e madeira, além de carrancas e outras expressões que exploram a relação entre matéria, luz e memória.
Roblim contou que aos 6 anos de idade descobriu as propriedades artísticas do barro, ao se mudar para um rancho a beira rio, próximo ao município de Ceres. Aos 11 anos, teve sua vocação reforçada com a pintura de Santo Antônio em lápis e papel, uns de seus primeiros quadros, presentes na exposição.
“Com o passar do tempo tentei evoluir, fazendo uma pintura ali e outra aqui, abordando temas diferentes, como o Cerrado, o cangaço, a alimentação humana, os vegetais e até mesmo visões religiosas históricas. São anos de viagem e pesquisas mostrando a história da humanidade, a pobreza e a natureza, com uma mensagem distinta, nestes 81 anos de vida e expressados através deste dom que o criador me deu”, revelou o artista.
O produtor, curador e diretor artístico Ruber Rosha contou que essa exposição é uma primeira célula dentre uma série de pretensões para levar a pluralidade de Roblim ao resto do Brasil.
“São 81 anos de vidas, e digo vidas no plural, pois apenas uma seria pouca para traduzir todos os percursos, trajetos e versões deste homem. São 70 anos voltados à arte, um jubileu de platina, com um acervo vasto, que aborda muitos estilos, momentos históricos e pessoais. Estamos desde dezembro fazendo a pesquisa curatorial para captarmos um pouquinho de cada uma dessas fases para mostrar ao público quem é esse artista”, contou Ruber.
O artista
O material de divulgação da mostra informa que Ronaldo Barbosa de Lima nasceu em Pernambuco e encontrou ainda menino, entre as paisagens do interior brasileiro, uma escola que não cabia dentro de nenhuma sala de aula. Ao mudar-se para Goiás, fez das margens do Rio das Almas um ateliê sem paredes, onde aprendeu a observar a delicadeza das folhas, o movimento dos peixes, o voo dos pássaros, a força das árvores e os silêncios que habitam o Cerrado.
A sua capacidade de enxergar beleza onde muitos veem apenas passagem acompanha toda a sua produção artística. As taperas, as casas simples, as paisagens do sertão, o povo brasileiro, a fauna, as memórias da infância e os pequenos gestos do cotidiano aparecem não como registros documentais, mas como territórios afetivos, onde cada obra preserva uma história pronta para continuar sendo contada por quem a contempla.
Sua técnica em relevo tornou-se uma assinatura estética inconfundível. A matéria deixa de ser apenas superfície e passa a dialogar com a luz, criando obras que parecem guardar o tempo em suas próprias texturas.
Roblim construiu uma obra plural, cuja linguagem ultrapassa fronteiras e técnicas. Além da pintura, desenvolve esculturas, carrancas, máscaras, cerâmicas, trabalhos em pedra e madeira, explorando diferentes materiais sem abandonar a identidade poética que une toda a sua produção.
Sua arte nasce do Brasil, mas não se limita a ele. Embora carregue a rusticidade do barro, a luz do Cerrado e a memória do sertão, suas obras falam sobre aquilo que pertence a qualquer pessoa, em qualquer tempo: a infância, o afeto, o humor, a esperança, a saudade, a fé e a permanente capacidade humana de transformar lembranças em futuro.



