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A eleição mudou de fase — e o resultado das urnas fez Grass ganhar motivo para uma virada

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As pesquisas apontavam uma vantagem muito maior para Celina. A urna entregou uma diferença de 15 pontos. Agora, o segundo turno começa do zero

Se alguém olhar apenas para a fotografia do primeiro turno, Celina Leão (PP) começa a segunda etapa na frente.

Isso é fato.

Mas existe outra fotografia — e ela interessa muito a Leandro Grass (PT).

Na reta final, as pesquisas apontavam uma vantagem bastante superior para a governadora. A Quaest divulgada em 3 de outubro indicava 53% para Celina contra 32% para Grass nos votos válidos. O Datafolha apontava 53% contra 26%.

Nas urnas, entretanto, o resultado foi diferente.

Celina terminou com 49,93% e Grass com 34,48%.

A diferença real ficou em aproximadamente 15,5 pontos percentuais.

E aqui começa a pimenta

Grass não chegou ao segundo turno apenas porque os outros candidatos dividiram os votos.

Ele terminou o primeiro turno com quase 570 mil votos.

E, principalmente, apareceu nas urnas acima do percentual indicado por parte das pesquisas de véspera.

Isso muda a leitura política da segunda rodada.

Não significa que Grass esteja na frente.

Não significa que a vantagem de Celina tenha desaparecido.

Significa que o tamanho da diferença eleitoral é menor do que a fotografia apresentada por alguns levantamentos finais sugeria.

O segundo turno tem outra matemática

Agora não existem dez candidatos.

Existem dois.

Paula Belmonte, Kiko Caputo e Ricardo Cappelli ficaram pelo caminho e somaram juntos mais de 249 mil votos no primeiro turno.

Esses eleitores não são automaticamente de Celina.

Também não são automaticamente de Grass.

Mas representam um universo relevante para uma disputa que começa com pouco mais de 15 pontos de diferença.

E existe outro detalhe:

Grass precisa buscar votos. Celina precisa preservar os seus.

Essa diferença de estratégia pode ser importante.

A campanha de Grass pode trabalhar para transformar o segundo turno em um plebiscito sobre a continuidade do atual governo.

Celina, por sua vez, precisará defender uma gestão que, segundo o Datafolha, tinha 53% de aprovação, mas também 38% de desaprovação.

A grande oportunidade de Grass

O principal argumento favorável ao petista está na possibilidade de unificar os votos de mudança.

Se os eleitores que escolheram candidatos derrotados estiverem mais interessados em impedir a continuidade do atual governo do que em manter suas escolhas originais, o cenário pode sofrer alterações.

Mas isso não acontece automaticamente.

Grass precisaria conquistar esses eleitores.

Precisaria reduzir resistências.

Precisaria ampliar sua capacidade de diálogo para além do eleitorado tradicional do PT.

E precisaria transformar sua candidatura em uma alternativa competitiva para eleitores que não votaram nele no primeiro turno.

E Celina?

A governadora parte de uma posição numericamente confortável.

Obteve quase metade dos votos válidos e ficou a apenas 168 votos do necessário para vencer no primeiro turno, segundo a apuração divulgada pelo TSE.

Portanto, seria incorreto tratar a disputa como equilibrada neste momento.

Mas também seria precipitado considerar o segundo turno uma simples formalidade.

A própria existência da segunda rodada mostra que menos de 0,1 ponto percentual separou Celina da vitória imediata, mas também que uma parcela expressiva do eleitorado escolheu outros candidatos.

Agora essa parcela será disputada pelos dois lados.

A pergunta que fica

Grass consegue transformar seus 34,48% em uma frente eleitoral mais ampla?

Essa é a questão.

Ele não precisa repetir o primeiro turno.

Precisa conquistar parte do eleitorado que escolheu outros candidatos e, ao mesmo tempo, manter praticamente intacta sua votação original.

É uma tarefa difícil.

Mas os números da eleição permitem uma leitura positiva para sua campanha:

Grass terminou acima do que algumas pesquisas finais projetavam e Celina terminou abaixo da vantagem que esses mesmos levantamentos indicavam.

A eleição, portanto, não está definida pelos números da véspera.

A urna já mostrou isso uma vez.

Agora começa outra eleição.

E, no segundo turno, cada voto que migra pode mudar a matemática do Buriti.

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