Governador de São Paulo reconheceu a vitória de Lula e defendeu unidade entre forças de direita; saída de Flávio Bolsonaro dos planos de articulação política abriu espaço para uma disputa por protagonismo.
A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, dois dias após a derrota na eleição presidencial, surpreendeu aliados que esperavam discutir com o senador a organização da oposição no Congresso. Os integrantes do partido consideraram que ele deixou de aproveitar a força política dos 59,8 milhões de votos recebidos. Enquanto isso, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), publicou um pronunciamento reconhecendo a vitória de Lula e defendendo a construção de uma oposição organizada para os próximos quatro anos.
No discurso, Tarcísio agradeceu a Flávio pela campanha e afirmou que a direita recebeu das urnas a responsabilidade de fiscalizar o governo federal. O governador também defendeu responsabilidade fiscal, redução de gastos e impostos, além de investimentos em áreas como saúde, educação e saneamento. Ao afirmar que permanece entre os eleitores um “desejo de projeto de país”, apresentou uma mensagem voltada para além de São Paulo e sinalizou disposição para participar da reorganização política da oposição.
Reeleito governador paulista no primeiro turno, com 14,4 milhões de votos, equivalentes a 62% do total no estado, Tarcísio também participou da campanha de Flávio em São Paulo, onde o candidato presidencial recebeu 14,1 milhões de votos no segundo turno. O contraste entre o reconhecimento da derrota feito pelo governador e a contestação eleitoral atribuída a Flávio reforçou a discussão sobre quem terá maior influência na oposição a Lula. A definição dessa liderança dependerá das articulações entre partidos, governadores e parlamentares nos próximos meses.


