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Crise bancária no Paraguai provoca pedido de impeachment contra o presidente e o vice

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Oposição acusa presidente de conflito de interesses após fechamento do Ueno Bank, que deixou centenas de milhares de clientes sem acesso às economias.

A Câmara dos Deputados do Paraguai foi convocada para analisar, nesta quinta-feira (5), os pedidos de julgamento político contra o presidente Santiago Peña e o vice-presidente Pedro Alliana. A iniciativa da oposição ocorre após o fechamento do Ueno Bank, instituição ligada a antigos sócios comerciais de Peña, que deixou centenas de milhares de clientes sem acesso aos recursos depositados. A crise provocou protestos e acusações de conflito de interesses contra o presidente. Os pedidos foram incluídos em sessões extraordinárias convocadas pelo presidente da Câmara, Raúl Latorre, para analisar separadamente as acusações contra Peña e Alliana. Uma das autoras da iniciativa, a deputada Rocío Vallejo, afirmou que a perda de confiança no sistema financeiro por conta do presidente é o principal motivo para seu afastamento.

O Banco Central do Paraguai determinou, na madrugada de terça-feira (3), a resolução do Ueno após identificar deterioração nos indicadores de solvência e concessão de créditos a empresas do próprio grupo acima dos limites permitidos. Peña integrou o grupo empresarial ligado ao banco até abril de 2025. A crise também atingiu recursos públicos: o senador Enrique Buzarquis cobrou explicações sobre os US$ 441 milhões do Instituto de Previsión Social, a previdência paraguaia, depositados na instituição. O presidente do banco e outros diretores foram presos na terça-feira e indiciados na quarta (4) por lesão de confiança e outros delitos. Embora depósitos de até 228,3 milhões de guaranis, cerca de US$ 36 mil, tenham garantia do Banco Central, os correntistas continuavam sem acesso ao dinheiro. O episódio também levou à renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que havia dirigido a instituição financeira antes de assumir o comando da autoridade monetária.

O pedido contra Peña, assinado por 35 deputados, aponta cinco eixos de acusação: conflito de interesses, manipulação regulatória, concessão de créditos acima dos limites, benefício patrimonial e prejuízo à confiança no sistema financeiro. Pelo rito previsto na Constituição paraguaia, a Câmara precisa aprovar a acusação por dois terços dos presentes; se o processo avançar, o Senado assume a função de tribunal e a condenação exige 30 votos dos 45 senadores. O Partido Colorado, de Peña, possui maioria nas duas Casas, e a decisão depende especialmente da posição da coalizão Honor Colorado, comandada pelo ex-presidente Horacio Cartes. Na quarta-feira, manifestações de clientes do Ueno nas proximidades do Congresso terminaram em confronto com a polícia. Para a sessão desta quinta, a Polícia Nacional mobilizou entre 500 e 600 agentes, enquanto grupos de cidadãos convocaram novo protesto para as 18h.

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