A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por intermédio da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC/DECOR), deflagrou, na manhã de hoje (15), a Operação Bypass, destinada a desarticular organização criminosa especializada na invasão não autorizada de sistema informático do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (DETRAN/DF), responsável por fraudes de largo espectro no ambiente do trânsito distrital, com prejuízo estimado em dezenas de milhões de reais aos cofres públicos.
As investigações tiveram início há cerca de quatro meses a partir de notícia-crime que relatava transferências fraudulentas de veículos de frota empresarial, sem qualquer anuência dos legítimos proprietários. O aprofundamento das diligências revelou que integrantes do grupo criminoso utilizavam um aplicativo de contorno denominado internamente como sistema de bypass, por meio do qual realizavam acesso não autorizado ao sistema GETRAN, plataforma de gerenciamento de registros veiculares do DETRAN/DF.
Modus operandi
A ferramenta, desenvolvida pelo líder da organização criminosa — indivíduo com especialização em desenvolvimento de software e engenharia de sistemas —, simulava interfaces funcionais do DETRAN/DF e automatizava operações fraudulentas em velocidade incompatível com a ação humana, executando centenas de requisições por segundo direcionadas ao domínio oficial da autarquia. O sistema era operado a partir de servidores privados virtuais, com emprego de ferramentas de anonimato.
Com o acesso ilegítimo ao sistema GETRAN, a organização criminosa realizava de forma sistemática e reiterada a exclusão de autos de infração de trânsito, transferências ilegais de titularidade de veículos para empresas de fachada, emplacamentos fraudulentos e regularizações indevidas de registros de condutores, e ainda a obtenção fraudulenta de financiamentos junto a instituições financeiras com uso de documentação veicular adulterada como lastro.
O DETRAN/DF colaborou ativamente com as investigações, fornecendo os registros de acesso ao sistema GETRAN que permitiram a identificação dos padrões de invasão e dos endereços de origem das conexões fraudulentas, contribuição determinante para o êxito da operação.
A divisão de papéis na organização era precisa: o líder técnico respondia pelas invasões ao sistema e pelo desenvolvimento das ferramentas; articuladores captavam clientes interessados nas fraudes e encaminhavam os dados necessários para as operações ilícitas; e interpostos financeiros absorviam as movimentações patrimoniais incompatíveis, ocultando a origem dos recursos. Os proventos ilícitos eram dissipados por meio de rede de contas bancárias com padrão transacional característico de lavagem de dinheiro.
Operação
Foram expedidos cinco mandados de Prisão Temporária e quatro mandados de busca e apreensão, todos no Distrito Federal, assim como foi autorizado judicialmente o bloqueio de contas bancárias, a apreensão de veículos de luxo e de dispositivos eletrônicos. A operação teve o apoio de peritos do Departamento de Polícia Técnica da PCDF.
Os investigados responderão, em tese, pelos crimes de invasão de dispositivo informático, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa, cujas penas máximas somadas podem superar 30 anos de reclusão
O inquérito policial prossegue para a identificação de eventuais partícipes ainda não alcançados pelas medidas desta fase e para o completo mapeamento do volume de dano causado ao erário público.
Assessoria de Comunicação – PCDF
PCDF, excelência na investigação


