Crise do BRB e embates durante a campanha podem dificultar a relação institucional com o presidente Lula, governadora afirma estar aberta ao diálogo.
A reeleição de Celina Leão (PP) ao governo do Distrito Federal e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência mantém o desafio de reconstruir a relação institucional entre os dois governos. O cenário foi marcado, ao longo de 2026, pelo alinhamento político de Celina com Flávio Bolsonaro (PL), pela oposição ao governo federal e por divergências envolvendo o Banco de Brasília (BRB). A governadora também acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) contra uma lei sancionada por Lula, sob o argumento de que as mudanças fiscais previstas poderiam afetar os repasses da União ao Distrito Federal.
Durante a campanha, Celina se apresentou como aliada de Flávio Bolsonaro e manteve proximidade com lideranças conservadoras, entre elas a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL), Damares Alves (Republicanos) e Bia Kicis (PL). Lula, por sua vez, apoiou Leandro Grass (PT), que disputou o governo do DF e foi derrotado no segundo turno. A crise do BRB também ampliou o desgaste entre os governos: Celina buscou apoio federal para viabilizar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões destinado à recomposição do patrimônio do banco, mas a União informou que não poderia oferecer garantia à operação.
Em setembro, Lula criticou publicamente a governadora e afirmou que o governo federal não daria dinheiro ao BRB. Celina respondeu nas redes sociais e, dias depois, processou o presidente por dano moral no Tribunal de Justiça do Distrito Federal. No mesmo mês, o governo distrital acionou o STF para questionar dispositivos de uma lei que autoriza o uso de recursos do pré-sal para reduzir o preço dos combustíveis e estabelece regras de ajuste fiscal a partir de 2027. Segundo o governo do DF, essas mudanças podem afetar o Fundo Constitucional, que financia parte das despesas distritais com saúde, segurança pública e educação.


