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Michelle ameaça deixar o PL, mas é convencida por Damares e Celina a permanecer na sigla

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Imagem: O Globo

Ex-primeira-dama decidiu sair apenas da presidência do PL Mulher após reunião com governadora e senadora; aliados apostam em convencê-la a disputar o Senado até as convenções

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ameaçou se desfiliar do PL durante reunião realizada nesta terça-feira (30) com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. O encontro ocorreu na sede do partido em Brasília e foi marcado por um apelo direto de Valdemar para que ela reconsiderasse a decisão de deixar a sigla. Michelle chegou à reunião decidida a romper com o PL, movimento que, se concretizado imediatamente, também a obrigaria a desistir da pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal.

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Após deixar a sede do PL, Michelle seguiu para o Palácio do Buriti, onde se reuniu com a governadora Celina Leão (PP) e com a senadora Damares Alves (Republicanos-DF). No encontro, ela manteve inicialmente o discurso de que pretendia se desfiliar do partido. No entanto, ao longo da conversa com as duas aliadas, acabou sendo convencida a recuar da decisão mais radical de deixar a legenda por completo.

A ex-primeira-dama aceitou, por ora, deixar apenas a presidência do PL Mulher, mantendo sua filiação ao partido. A estratégia traçada por seus aliados é ganhar tempo até as convenções partidárias, previstas para o final de julho. A avaliação é de que, nesse período, Michelle pode ser convencida a aceitar a candidatura ao Senado pelo DF, evitando um rompimento público que enfraqueceria tanto sua imagem quanto a do próprio PL em um momento de forte tensão interna.

Michelle recua de desfiliação após pressão de Celina e Damares, mas crise com Flávio segue sem solução

A decisão de Michelle de permanecer no PL, mesmo que de forma parcial, revela a força da articulação feita por Celina Leão e Damares Alves para evitar uma ruptura imediata. As duas políticas atuaram como ponte entre a ex-primeira-dama e a cúpula do partido, buscando conter os danos de uma eventual saída pública. Ao mesmo tempo, a solução encontrada — deixar apenas a presidência do PL Mulher — funciona como uma espécie de meio-termo que permite a Michelle manter alguma distância do partido sem romper totalmente os laços institucionais.

Apesar do recuo na ameaça de desfiliação, a crise entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro permanece sem solução. A ex-primeira-dama ainda não demonstrou disposição para pacificar a relação com o pré-candidato à Presidência, e o partido segue dividido entre os que defendem uma reconciliação rápida e os que acreditam que o tempo pode ajudar a esfriar os ânimos. A estratégia de ganhar tempo até as convenções carrega riscos, pois depende da capacidade de convencimento de aliados sobre uma pessoa que, até o momento, tem demonstrado firmeza em suas posições.

O episódio expõe a fragilidade da unidade interna do PL às vésperas de um ano eleitoral decisivo. Michelle continua sendo uma das principais pontes do bolsonarismo com o eleitorado feminino, e sua eventual saída da legenda teria impacto significativo tanto na imagem do partido quanto na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Por isso, a atuação de Celina Leão e Damares Alves foi vista como fundamental para evitar um desfecho mais grave no curto prazo, ainda que a solução encontrada seja temporária e dependa de novos movimentos até o final de julho.

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