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Cine Brasília pode suspender atividades por atraso de repasse do GDF

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Cine Brasília não recebe repasses – foto: Agência Brasília

Quinta parcela de R$ 1 milhão está atrasada desde maio e coloca em risco a folha de pagamento de cerca de 40 funcionários do equipamento cultural

Com informações do Metrópoles

O Cine Brasília corre o risco de interromper suas atividades nas próximas semanas caso o Governo do Distrito Federal não realize o repasse da quinta parcela de R$ 1 milhão prevista no contrato de gestão compartilhada. A informação foi apresentada durante reunião do Conselho Consultivo do cinema nesta terça-feira (30), quando a administração alertou que, sem o depósito nos próximos 21 dias, não haverá condições de manter o funcionamento regular do espaço. O atraso já compromete diretamente a folha de pagamento dos trabalhadores e expõe mais uma vez a fragilidade do financiamento público destinado à cultura no Distrito Federal.

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Em maio de 2024, a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa firmou contrato com a Organização da Sociedade Civil Box Cultural para administrar o Cine Brasília pelos próximos três anos. Pelo edital, a entidade deveria receber seis parcelas de R$ 1 milhão até novembro de 2026. A quinta parcela, no entanto, com vencimento previsto para 23 de maio, ainda não foi depositada. A ausência do recurso já afeta a operação diária do cinema e coloca em xeque a continuidade das sessões, da programação e dos serviços prestados à população.

Durante a reunião, ficou evidente que o principal problema no momento é o pagamento dos salários de aproximadamente 40 funcionários. A Box Cultural solicitou autorização para utilizar recursos da bilheteria — originalmente destinados à troca do projetor da sala principal — para quitar a folha de pagamento em atraso. A Secretaria de Cultura sinalizou que autorizará o uso emergencial desses valores, com a promessa de recomposição posterior. A medida, embora evite uma paralisação imediata, revela a precariedade da gestão financeira do equipamento e a dependência de soluções paliativas para manter as portas abertas.

Atraso no repasse expõe descaso do GDF com a cultura e com os direitos dos trabalhadores do Cine Brasília

O caso do Cine Brasília não se resume a um problema burocrático isolado. Ele revela a forma como o Governo do Distrito Federal tem tratado o setor cultural: com atrasos recorrentes, falta de previsibilidade orçamentária e ausência de prioridade efetiva. Enquanto a população perde acesso a um dos principais espaços de exibição e formação audiovisual da cidade, cerca de 40 famílias ficam sem receber salários em dia. A necessidade de desviar recursos destinados à manutenção do equipamento para pagar funcionários demonstra que o sistema de repasses está falhando de forma estrutural, penalizando tanto os trabalhadores quanto a qualidade do serviço prestado à sociedade.

A Secretaria de Cultura informou que o pagamento está em tramitação financeira e que autorizou, de forma excepcional, o uso de recursos da própria parceria para evitar a interrupção das atividades. A pasta, no entanto, não apresentou data concreta para a regularização do repasse. Essa resposta genérica reforça a sensação de que o problema é tratado como uma questão meramente administrativa, sem a devida urgência que a manutenção de um equipamento cultural público exige. A falta de transparência sobre prazos e a repetição de atrasos fragilizam a gestão compartilhada e colocam em risco a própria existência do Cine Brasília como espaço vivo de cultura.

O episódio escancara a vulnerabilidade de projetos culturais que dependem de repasses públicos pontuais para funcionar. Quando o dinheiro atrasa, quem paga o preço mais alto são os trabalhadores, que ficam sem salário, e o público, que perde acesso a sessões, debates e formação. Manter um cinema público em funcionamento exige mais do que contratos e editais: exige responsabilidade do poder público com o cumprimento dos prazos e com a valorização de quem trabalha diariamente para garantir que a cultura chegue à população. Enquanto essa responsabilidade não for assumida de forma concreta, equipamentos como o Cine Brasília continuarão operando no limite e sob constante ameaça de paralisação.

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