Saúde Pública do DF colapsa com déficit de profissionais, filas por cirurgias e má gestão de hospitais e UPAs.
A reorganização da saúde pública será um dos principais desafios de Celina Leão (PP), reeleita para governar o Distrito Federal pelos próximos quatro anos. Nos últimos anos, hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) registraram superlotação, falta de profissionais e filas para cirurgias, além de episódios que levantaram suspeitas sobre a qualidade do atendimento. No primeiro semestre de 2026, uma sequência de mortes em unidades públicas, investigadas após denúncias de possíveis casos de negligência, ampliou a pressão sobre a rede. Durante a campanha, Celina reconheceu problemas de sucateamento e defendeu medidas para melhorar a assistência, incluindo a convocação de profissionais, a abertura de novas vagas e a implantação do programa Prontuário do Paciente.
A superlotação aparece entre os problemas mais persistentes. Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação apontaram que o pronto-socorro do Hospital Regional de Taguatinga operou acima da capacidade por pelo menos um ano, com ocupação superior a 250% em alguns meses. Em julho de 2026, informações do Ministério Público do Distrito Federal indicaram que 11 das 13 UPAs estavam acima da capacidade regular de acomodação, com a UPA Ceilândia II chegando a 400%. O Mapa Social da Saúde também registrava mais de 33 mil solicitações de cirurgias eletivas. Na área de pessoal, levantamento anterior apontou déficit de 996 médicos em diferentes especialidades. Em julho de 2026, Celina anunciou a intenção de convocar 508 profissionais, mas reconheceu dificuldades para preencher as vagas: de 114 oportunidades abertas em um processo seletivo, apenas 34 profissionais haviam tomado posse.
A infraestrutura e a gestão das unidades também estão no centro das cobranças. Funcionários e ex-funcionários do Hospital de Base denunciaram condições precárias no setor de Anatomia Patológica, enquanto relatos sobre veículos, macas e equipamentos apontaram problemas que poderiam comprometer o atendimento e o transporte de pacientes. O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), responsável pelo Hospital de Base, pelo Hospital Regional de Santa Maria e pelas UPAs, também enfrenta questionamentos sobre seu modelo de gestão. Em dezembro de 2025, o Tribunal de Contas da União apontou falhas no uso de recursos federais pelo instituto, incluindo problemas em contratações e indícios de irregularidades em serviços. Para a próxima gestão, permanecem desafios relacionados à atração de médicos, à melhoria da estrutura das unidades e ao controle dos gastos administrativos do Iges-DF.


