A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por intermédio da 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul), deflagrou, nesta sexta-feira (17), a Operação Policial Alto Custo, com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa especializada em furtar e roubar medicamentos de alto custo utilizados nos tratamentos para câncer, doenças autoimunes e de pessoas transplantadas. Foi dado cumprimento a 17 mandados de busca e apreensão e a cinco mandados de prisão preventiva decretadas pelo Poder Judiciário do Distrito Federal e Territórios.
Após um ano de investigação, foi desvendado um ardiloso e cruel esquema de “lavagem de medicamentos”, envolvendo empresas de fachadas distribuidoras de medicamentos de alto custo, que cooptava colaboradores de empresa distribuidora de produtos farmacêuticos provenientes de empreitadas criminosas que desviavam e subtraíam os medicamentos, e, por meio de fraudes contábeis e fiscais, reinseriam, de forma aparentemente legal, os fármacos de origem criminosa de volta ao mercado, fornecendo a instituições de saúdes com notas ideologicamente esquentadas.
Umas das principais distribuidoras de medicamentos lesada está situada no Distrito Federal e o cérebro criminoso de toda a organização tem a sua sede na cidade de Goiânia/GO, com elastério em Minas Gerais, São Paulo e no Rio de Janeiro, tendo inclusive a PCDF interceptado uma carga proveniente de roubo ocorrido no dia 31/03/2026 no Município de Niterói/RJ, apreendendo em uma das transportadoras situadas no Aeroporto Internacional de Brasília – Presidente Juscelino Kubitschek, circunscrição da 10ª Delegacia de Polícia, com o apoio da Receita Federal do Brasil e do Delegado de Polícia Titular da Delegacia de Roubo e Furtos de Cargas da Capital do Rio de Janeiro/DRFC, 493 caixas de Upadacitinibe avaliadas em aproximadamente R$ 4 milhões.
O bojo do inquérito policial trouxe robustez probatória dos crimes de furto qualificado pelo abuso de confiança, concurso de pessoas, receptação qualificada no exercício da atividade comercial, no artigo 273 do Código Penal, relativo à falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais, bem como a existência de organização criminosa estruturada para a prática reiterada de infrações penais, nos termos do artigo 2º da Lei nº 12.850/2013.
Os medicamentos subtraídos são de altíssimo custo a exemplo do VENCLEXTA (utilizado no tratamento de cânceres sanguíneos, matando as células tumorais) R$ 37 mil; LIBTAYO (um anticorpo monoclonal humano utilizado para imunoterapia no tratamento de certos tipos de câncer, como carcinoma) R$ 32 mil; REBLOZIL (o princípio ativo é o luspatercepte que aumenta a produção de hemácias, sendo, portanto, utilizado para reduzir a necessidade de transfusões de sangue em pacientes); IMBRUVICA (é indicado para tratamento de certos tipos de cânceres do sangue, como a leucemia linfocítica crônica, sendo anticâncer e de uso oral em cápsulas) R$ 40 mil; e do TAGRISSO (cujo princípio ativo é indicado para o tratamento de câncer do pulmão) R$ 32 mil; totalizando só numa distribuidora cerca de R$ 6 milhões.
Os investigados retiravam medicamentos de alto valor do estoque, ocultavam os produtos em caixas destinadas ao descarte, transportavam tais caixas até a doca de expedição e entregavam os medicamentos a terceiros posicionados em veículos, caracterizando esquema sofisticado, com planejamento prévio e divisão de estruturadas tarefas, correspondente à organização criminosa.
A operação policial obteve a colaboração e o apoio da Polícia Civil do estado de Goiás, da ANVISA e da Vigilância Sanitária de Goiânia, para as diligências realizadas no entorno do Distrito Federal (Valparaíso de Goiás e Novo Gama) e Goiânia, onde o líder da organização movimentou em somente um ano cerca de R$ 22 milhões em notas fiscais frias para “lavar o medicamento”, bem como do emprego operacional da Divisão de Operações Especiais da PCDF.
Por fim, destaca-se a gravidade desses crimes tendo em vista que os delitos vão muito além de prejuízo financeiro. Não se trata apenas de um esquema milionário, mas de um ataque direto à vida das pessoas que já sofrem imensamente de comorbidades. Esses criminosos colocaram em risco pacientes extremamente vulneráveis, que dependem desses medicamentos para sobreviver. Muitos medicamentos não eram mantidos sob refrigeração e isso faz com que perdem os efeitos, virando placebo, degradando o princípio ativo e tornando-os ineficazes ou até tóxicos à saúde dos seres humanos.
Assessoria de Comunicação – PCDF
PCDF, excelência na investigação


