Apoiado por Michelle Bolsonaro e Bia Kicis à Câmara Federal, Thiago Manzoni atacou Alexandre de Moraes no caso Vorcaro. Na CLDF, no primeiro turno, ele disse sim à compra do Banco Master pelo BRB.
Thiago Manzoni (PL) é o nome que Michelle e Bia empurram para a Câmara. Palanque conservador, discurso de honradez. Nos últimos dias, soltou vídeo contra Moraes — relator da ação em que entra o contrato do escritório da esposa do ministro com o Banco Master de Daniel Vorcaro.
A cena é de cruzada. A ata, não.
O voto que o vídeo esconde
Em 19 de agosto de 2025, a CLDF aprovou em cinco dias o projeto que autorizou o BRB a comprar o Master. Primeiro turno: 15 a 7. Manzoni votou sim. No segundo, se ausentou. O “sim” já estava no painel. Quem quer ou não, ajudou a abrir a porta da operação que o Banco Central vetou e que a PF descreveu como fraude bilionária.
Cobrar conflito no STF é uma coisa. Fazer isso como se o autor do vídeo tivesse saído limpo quando a mesma teia passou pela Câmara Legislativa é outra. A lógica do palanque: Moraes manchado, eu limpo. A lógica do painel: o Master só avançou no DF com autorização local. Quinze votos. O dele estava lá.

Os R$ 6,6 bilhões sem lenda
O rombo virou o empréstimo de até R$ 6,6 bilhões no FGC. Aqui o registro precisa ser seco. Manzoni presidiu a CCJ, deu parecer pela inadmissibilidade e, em 3 de março de 2026, votou não. Em junho, na ratificação do acordo de Fux, não aparece na lista dos que aprovaram o socorro.
Isso não apaga o ponto. Só corta o exagero. A mancha é a compra do Master, não o empréstimo posterior. Quem votou sim em agosto de 2025 não pode se vender, um ano depois, como cruzado recém-chegado à denúncia.
O selo Michelle-Bia
Bia falou em conduta e honradez e o indicou para a vaga que deixa na Câmara. Michelle falou em vida, drogas e acessibilidade. Nenhuma leu o painel de agosto. Honradez começaria pelo voto. Não por vídeo contra Moraes na reta final.
Incoerência ou cinismo
Incoerência é mudar de ideia. Cinismo é mudar quando a câmera muda de lado. Manzoni pode dizer que se ausentou no segundo turno, que depois votou contra o socorro, que hoje denuncia o ministro. Não pode apagar o “sim” do primeiro. Na política do DF, primeiro turno não é rascunho.
Michelle, Bia e Manzoni querem o eleitor indignado com o Supremo. Indignação seletiva é outra mercadoria. Quem ajudou a autorizar o Master na CLDF não é o fiscal da fraude. É parte da ata.


