Críticas internas ao apoio militar a Tel Aviv ampliam o custo político da aliança, segundo vice presidente, especialistas e autoridades sobre o resultado eleitoral.
A derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos abriu espaço para questionamentos sobre a relação histórica do país com Israel. O vice-presidente JD Vance afirmou que o vínculo com Tel Aviv esteve entre os quatro principais fatores apontados por um consultor próximo ao governo para explicar a perda das maiorias republicanas na Câmara e no Senado. No dia da votação, Donald Trump anunciou o fim da ajuda militar a Israel, estimada em US$ 3,8 bilhões anuais e anteriormente prevista para continuar até 2028. Para o professor de relações internacionais Bruno Huberman, da PUC-SP, a decisão reflete mudanças nas relações bilaterais e críticas crescentes ao financiamento americano.
Segundo dados do Conselho de Relações Exteriores, Israel recebeu mais de US$ 300 bilhões em ajuda dos Estados Unidos até 2025, dos quais US$ 224 bilhões foram destinados à assistência militar. Huberman destacou que o apoio mantido pelo governo Joe Biden durante a guerra na Faixa de Gaza provocou manifestações em universidades americanas e críticas de setores do Partido Democrata. A eleição também levou ao Senado Abdul El-Sayed, por Michigan, que fez campanha contra os gastos militares com Israel. O especialista Danny Zahreddine, da PUC Minas, avaliou que o anúncio de Trump sobre a suspensão da ajuda pode ter sido uma tentativa de impedir a vitória do candidato, enquanto o analista Paulo Abraão afirmou que o apoio a Israel deixou de representar um consenso bipartidário.
O desgaste também apareceu em iniciativas locais e nas manifestações de autoridades israelenses. Em Providence, Rhode Island, cerca de 75% dos eleitores aprovaram uma medida para interromper investimentos municipais em países acusados de práticas como apartheid, ocupação militar ilegal e genocídio. O presidente israelense Isaac Herzog reconheceu a existência de sentimentos contrários a Israel nos Estados Unidos, mas afirmou que o país busca manter apoio dos dois partidos. Já o representante israelense na ONU, Danny Danon, rejeitou a avaliação de Vance de que a relação com Israel foi responsável pela derrota republicana e defendeu que as críticas internas sejam consideradas.


